Bette Davis entre nós
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 09 de abril de 1999
Estelio Feldman 
Os anos 30 e 40 revelaram ao mundo algumas das mulheres mais belas de todos os tempos. Foi a época de crescimento do cinema norte-americano, a indústria criou um ideal de beleza que se tornou universal. As deusas da tela não apenas encantavam, aprisionavam o público em todo o mundo. Todavia, entre tantas beldades, havia uma que não atingia padrões de beleza considerados fundamentais para o estrelato. Curiosamente, mais de 50 anos depois, a grande maioria das belas foi esquecida. Mas não há quem, entre os apreciadores de cinema, deixe de lembrar de Bette Davis.
Não só sua beleza estava fora dos padrões, como também não era a boazinha. Ao contrário, ela é lembrada como A Malvada, título de um de seus filmes. Era a vilã, a mulher que provocava ira e até ódio da platéia. Na verdade, não era sempre assim, mas acabou ficando com a fama.
E, como dizem até os entendidos, é muito mais difícil ser o vilão do que o herói, Bette se consagrou como a figura da Pérfida, título de outro de seus filmes. Várias vezes foi designada para o Oscar, a grande consagração do cinema norte-americano, levou estatuetas para casa mas, principalmente, forjou uma mística que persiste. Em seus últimos filmes, já idosa, mesmo não sendo a má (como aquele em que adotou um menino negro, sendo a mãe branca), seu talento e competência se destacam. Bette tomava a tela, dominava a cena, engolia os que a cercavam. Uma verdadeira estrela, na acepção plena, não a forjada pela máquina de Hollywood, mas a legítima, que nasce do talento real.
Para quem não conheceu Bette, ou para os que querem revê-la, o Departamento Cultural da Associação Médica de Londrina tem um verdadeiro presente. Iniciando as atividades do ciclo Cinema em Vídeo, neste 1999, o Departamento programou um ciclo pleno com Bette Davis, começando hoje e prosseguindo até maio. Hoje, na abertura, dois documentários apresentam a atriz: Bette, um vulcão benevolente, produzido pela BBC, e legendado em português é o primeiro. Depois, um clip da vida, obras, maneirismos e jeito de ser da atriz, intitulado All About Bette, apresentado pela igualmente competente Jodie Foster.
Nos outros sábados, a partir do dia 17, a programação prevê a apresentação de alguns dos mais marcantes filmes de Bette: Jezebel, que lhe rendeu um Oscar em 38, será mostrado no dia 17; dia 24, o filme será A Carta. No mês de maio, outros quatro trabalhos: A Malvada, Pérfida, O que Terá Acontecido com Babe Jane? e As baleias de Agosto.
Todos os filmes serão apresentados na sede cultural da Associação Médica, Praça Primeiro de Maio, centro, com início às 17 horas e entrada franca. A apresentação estará a cargo da cinéfila Fernanda Jiran. Imperdível.


