A vontade de transformar o saudosismo da radionovela/telessérie/quadrinhos ''Besouro Verde'' em um longa é antiga e hoje finalmente a adaptação estreia nos cinemas brasileiros. Pena que nem mesmo a paixão pelos personagens, o orçamento robusto, o elenco estelar e a direção de Michel Gondry tenham sido suficientes para tornar o filme um sucesso. A película não passa de uma fraca paródia do próprio personagem.
Só pra refrescar a memória, ''Besouro Verde'' foi um grande sucesso nas rádios norte-americanas na década de 1930 e nos anos 1940 ganhou as histórias em quadrinhos. Ao final dos anos 1960 teve seu auge, com uma trilha-tema que hoje é parte da cultura pop mundial, e o sucesso de um coadjuvante de luxo. Ok, na época não era de luxo. Kato, parceiro do protagonista Britt Reid, era ainda um promissor desconhecido, Bruce Lee.
Pois bem, décadas depois, o playboy Britt Reid é revivido por Seth Rogen (de ''Pagando Bem, Que Mal Tem?'', ''Ligeiramente Grávidos'' e uma porção de participações nos filmes de Judd Apatow) e seu fiel escudeiro Kato ficou sob responsabilidade de Jay Chou (cantor e ator que, entre produções desconhecidas, fez ''A Maldição da Flor Dourada'').
A história tenta usar elementos da série original: Britt, um festeiro mimado inconsequente, herda um império de comunicações que tem o outrora combativo jornal ''Sentinela Diário'' como carro-chefe. A morte súbita do pai aproxima o playboy do mecânico e faz-tudo Kato e ambos, entediados, resolvem usar traquitanas e o próprio submundo do crime para se tornarem heróis.
Alguma coisa vai mal quando você vê um ator como Christoph Waltz, premiado por ''Bastardos Inglórios'', ser tão mal utilizado em um papel como o do vilão de meia-tigela Chudnofsky. Rogen, que tenta se espelhar em Tony Stark, sequer chega aos pés de Robert Downey Jr. no papel de um playboy amargurado e ao mesmo tempo heroico. Não convence com drama, muito menos com as cenas de ação e sequer está engraçado como em outras oportunidades.
Chou ainda consegue segurar as pontas nas cenas de luta, que, inexplicavelmente, tem sugestões robóticas, pela visão do já elogiado em tantas outras ocasiões Michel Gondry. Aqui, o diretor está perdido, não consegue brincar com as autorreferências e nem mesmo suporta a paródia a que se propõe oferecer.
''Besouro Verde'', que custou US$ 120 milhões, fará muito se conseguir empatar com a arrecadação na bilheteria mundial. Não funciona como comédia de ação e nem mesmo faz uma homenagem aos nostálgicos. Bruce Lee, coitado, deve estar se remexendo no caixão.

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