Berta Zemel volta ao palco 25 anos depois
Berta Zemel volta ao palco 25 anos depois Ganhadora do prêmio Moliére com o espetáculo O Milagre de Ann Sullivan, a atriz Berta Zemel iniciou sua carreira como atriz há mais de 40 anos, interpretando a Ofélia na montagem de Hamlet, de Shakespeare, além de outros personagens em novelas como Vitória Bonelli, As Gaivotas, O Jogo do Amor. Na metade desse caminho, Berta se afastou do palco, ao qual retorna agora, 25 anos depois. A seguir, ela conta por que deixou o teatro. O que te levou a deixar o palco? Fiz quatro anos de Escola de Arte Dramática, trabalhei com Sérgio Cardoso e os grandes diretores e atores da época. Depois, em virtude de um prêmio que eu ganhei (Moliére) escolhi ficar um tempo na França. Tive sorte que foi na época de um grande festival. Assistia espetáculos de manhã, à tarde e à noite nos 40 dias que fiquei lá. Um dia pensei: o que é que tem diferente do Brasil? Nada! Depois que vi esse espetáculo, acho que do Quênia uma reconstitutição de uma história primitiva de um povo notei que era uma história poderosa. Cheguei à conclusão de que no Brasil somos ótimos atores, temos grandes diretores, só não temos uma cabeça que trabalhe e organize isso. Voltei para cá, montei minha companhia e viajei 20 anos pelo País inteiro. A gente se apresentava em qualquer lugar e tinha um grande público. Depois desse tempo eu não via mais ninguém querendo fazer isso e eu não tinha mais força para fazer sozinha. Por que eu parei? Eu tinha grandes objetivos, mas não tinha um conjunto que me acompanhasse, que tivesse uma idéia popular de coisa brasileira, de pesquisa... Criei a minha escola (Fábrica Escola de Teatro) um curso livre de teatro onde trabalho com atores e não atores. É uma casa de pesquisa. Fiquei esses 25 anos trabalhando com isso. Eu e o Luiz (Valcazaras) nos encontramos num momento que achei que era o meu momento. Qual a expectativa de retornar aos palcos tanto tempo depois? Olha. Eu tenho a impressão de que se não fosse o Luiz, esse trabalho não seria o mesmo. Ele me mostrou na representação outras perspectivas. Isso que eu estou procurando. Aprendi muito, mas há momentos em que você tem que dar uma guinada. Se você está no mundo, é por causa de alguma coisa. Sou uma pessoa difícil, tímida, não gosto de festa, de coisa oficial. Gosto de reuniões onde a gente conversa e as coisas evoluem. Na vida eu sou gauche, mas no palco eu estou em casa. Acho que ele me permitiu ficar em casa e elaborar o que eu preciso. Chegou meu momento de fazer esse trabalho. E agora, muitos planos? Muitos. Temos muitas coisas no prelo. (J.S.)





