Berlim pede desculpas a Dietrich
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2001
France Presse 
Berlim - Marlene Dietrich, o ''anjo azul'', recebeu ontem as honras oficiais do presidente alemão, Johannes Rau, que enfeitou com uma coroa de flores o túmulo da atriz em Berlim, pelo centenário de seu nascimento.
Falecida em 1992 aos 90 anos num apartamento em Paris, onde morou durante os doze últimos anos de sua vida, ''a Dietrich'' quis ser enterrada em sua cidade natal, junto de sua mãe, lugar que deixou para escapar ao nazismo, mas que sempre considerou como seu -''sou berlinense, graças a Deus'', escreveu em suas memórias -, apesar de ter sido criticada quando esteve pela última vez na Alemanha, em 1960.
O presidente alemão declarou sua vontade de honrar Dietrich, ''uma artista sem igual que se comprometeu em favor da liberdade e da democracia na época da ditadura nacional-socialista'', apesar de ter sido considerada pelos alemães, inclusive muito depois de 1945, uma traidora.
Diante do túmulo de Marlene Dietrich, o prefeito de Berlim, Klaus Wowereit, manifestou sua ''admiração'' por esta mulher ''que recusou o nazismo''.
Marlene ''foi fiel a si própria, deixou sua pátria e foi alvo de insultos durante sua visita a Berlim em 1960'', lembrou o prefeito, cujos serviços pediram, oficialmente, desculpas em nome da cidade-estado de Berlim pela hostilidade manifestada na época.
Nascida em 27 de dezembro de 1901, Maria Magdalena von Losch, seu verdadeiro nome, passou a maior parte de sua vida no estrangeiro.
Revelada pelo diretor Josef Sternberg em ''O Anjo Azul'' (1930), Dietrich abandonou a Alemanha nazista para instalar-se nos Estados Unidos, onde se tornou rapidamente uma lenda de Hollywood.
Na ocasião de sua única volta a Alemanha, em 1960, a atriz, que esperava ser recebida como uma heroína, foi tratada como uma ''traidora''. Muitos alemães não a perdoavam por ter se naturalizado norte-americana após a chegada ao poder dos nazistas e por ter cantado aos soldados norte-americanos durante a Segunda Guerra Mundial.
A abundância de programas culturais previstos em Berlim e no resto da Alemanha na ocasião do centenário de seu nascimento testemunha a popularidade que tem hoje Dietrich en seu país de origem.
Além de uma infinidade de programas de rádio e televisão dedicados a ela, o museu do Filme de Berlim lhe consagra uma exposição especial e uma série de projeções de filmes. Outra exposição abordará o tema da homosexualidade sob o título ''Marlene e o terceiro sexo''.
Paralelamente, o Friedrichstadtpalast, o grande teatro de variedades berlinense, está apresentando um espetáculo consagrado à Marlene, o que estão fazendo também outros teatros da cidade.


