Luiz Zanin Oricchio
Agência Estado
A organização do 50º Festival de Cinema de Berlim, que ocorre entre os dias 9 e 20 e um dos três mais importantes do mundo, divulgou ontem a lista dos concorrentes. São 21 longas-metragens disputando o Urso de Ouro, o principal prêmio do evento. Não há nenhum brasileiro entre eles, mas ‘‘Bossa Nova’’, o mais recente longa-metragem de Bruno Barreto, encerra o festival, fora de competição. Não apenas o Brasil foi ignorado na competição: não há nenhum título latino-americano entre os 21 escolhidos pela curadoria. O solitário representante ibero-americano vem da Espanha: ‘‘El Mar’’, de Agustí Villaronga.
Os outros vêm de países como Estados Unidos, China, Rússia, Turquia e França, entre outros. A cinematografia norte-americana aparece como a dominante, o que já se vem transformando num perfil de Berlim. Vêm, por exemplo, ‘‘Magnolia’’, de Paul Thomas Anderson, com Tom Cruise, Julianne Moore e Jason Robards. Cruise ganhou recentemente o Globo de Ouro como ator coadjuvante. Há também ‘‘Man on the Moon’’, de Milos Forman, com Jim Carrey, Danny De Vito e Courtney Love; ‘‘The Huricane’’, com Denzel Washington; O ‘‘Talentoso Ripley’’, de Anthony Minghella, com Matt Damon; ‘‘Signs and Wonders’’, de Jonathan Nossiter, com Stellan Skarsgard e Charlotte Rampling; ‘‘Any Given Sunday’’, de Oliver Stone, com Al Pacino; ‘‘The Million Dollar Hotel’’, de Wim Wenders.
Se predominam os títulos de produção norte-americana, alguns dos diretores desses filmes são europeus da gema, como os britânicos Danny Boyle e Anthony Minghella e o alemão Wim Wenders. Para não falar do checo Milos Forman, há muito radicado nos EUA. A Itália vem representada por um diretor de pouca expressão internacional, Lucio Gaudino, com seu ‘‘Prime Luci dell’Albe’’. No elenco, Francesco Giuffrida, que estreou com um mestre, Gianni Amelio, em ‘‘Assim Eles Riam’’, vencedor de Veneza em 1998.
A China, comprovando o bom momento da sua cinematografia vem com dois títulos: ‘‘You Shi Tiaowu’’ (Contos das Ilhas), de Stanley Kwan, e ‘‘Wo De Fu Qin Mu Qin’’ (O Caminho de Casa), de Zhang Yimou, este o mais famoso cineasta do país. Yimou é sempre concorrente forte, um especialista em vencer festivais. Seu mais recente sucesso, ‘‘Nenhum a menos’’, ganhou Veneza no ano passado e está em cartaz em São Paulo. A França manda dois filmes, ‘‘La Chambre des Magiciennes’’, de Claude Miller, e ‘‘Gouttes d’eau sur Pierres Brulants’’, de François Ozon.
Outro nome de peso é o alemão Volker Schlondorff, que representa seu país com ‘‘Die Stille Nach Dem Schuss’’ (A Lenda de Rita). Anthony Minghella, que ganhou nove Oscars com seu ‘‘O Paciente Inglês’’, leva a Berlim sua adaptação de Patricia Highsmith, ‘‘O Talentoso Ripley’’. Dos concorrentes em Berlim é o único com estréia assegurada no Brasil: entra em cartaz no dia 18.