Berço de grandes artistas
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segunda-feira, 22 de janeiro de 2001
Mary Persia de Oliveira Agência Estado 
A história de Florença remete aos tempos da Itália antiga, quando esta ainda era Etrúria e a cidade que dominava o vale do Rio Arno chamava-se Fiésole. Seu apogeu se deu nos séculos 15 e 16, quando artistas e pensadores importantes (Dante Alighieri, Michelangelo, Leonardo da Vinci, Ghiberti e Botticelli, entre outros) viveram por ali. Por isso a cidade é considerada o berço da Renascença.
Muito da história e da pompa arquitetônica de Florença deve-se aos Medici. A dinastia do clã de banqueiros durou mais de três séculos (a partir do 15 e até a primeira metade do 18) e levou riqueza e prosperidade à cidade. Vários palácios, mansões, parques, prédios e jardins que se vêem hoje em Florença são herança desse período.
Na Via Cavour está o Palazzo Medici Ricardi, um exagero de tamanho e ostentação. Há ainda os palácios Vecchio (ou da Signoria) e Pitti este último, de 1458, ligado à Ponte Vecchio (1345) pelo Corredor Vasariano (um corredor que tem em suas paredes diversos auto-retratos de grandes pintores italianos e estrangeiros). A ponte Vecchio é a mais antiga de Florença. Ela é uma das portas de entrada para o Oltrarno, um dos bairros mais ricos da cidade.
Florença foi capital provisória do recém-criado reino da Itália, de 1865 a 1870. Nessa época, a cidade sofreu grandes transformações urbanísticas. Era preciso alojar 30 mil pessoas, ligadas aos mais altos postos do governo, que de Florença fizeram seu endereço. Mais do que isso: a cidade teria de ostentar uma atmosfera digna de uma grande capital.
A exemplo do que aconteceu no Brasil com a chegada da corte portuguesa, em 1808, a população florentina de poucas posses teve de ceder seus lares para abrigar os nobres recém-chegados. De suas casas, foram para o velho centro da cidade, já superpovoado e que passou a apresentar uma situação insustentável. Tamanhos eram os problemas de ordem e higiene na área que, entre 1885 e 1895, os antigos casebres foram demolidos. Com eles foi-se uma velha muralha, e construíram-se no lugar bulevares nos moldes dos parisienses.
Sob o comando de Giuseppe Pogni que, dizem, tinha um talento urbanístico medíocre mas, felizmente, sóbrio , surgiram praças com uma simetria estranha à tradição florentina, como os pórticos da Praça da Liberdade e o semicírculo da Praça Beccaria.


