Benvindo ao Sur!
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de março de 2001
Da Redação 
A Cordilheira dos Andes, com picos e vulcões emergindo em um cenário de lagos, desertos e glaciares, exerce uma incrível atração nos aventureiros.
Pode não parecer, mas trata-se de um roteiro acessível a qualquer viajante. Nessa viagem, sugerida e feita pela leitora Rosa Moura, de Curitiba, percorre-se um polígono traçado sobre a Patagônia Austral e Terra do Fogo.
O ponto de partida é Rio Gallegos (sul da Argentina) em direção a El Calafate, a 320 km na direção noroeste, em rodovia asfaltada mas cheia de baches (crateras de todos os tipos e tamanhos). Neste percurso, a vastidão da planície patagônica dá a dimensão de que somos insignificantes diante da natureza. São quilômetros de estepes em um mosaico pastel; uma imensidão silenciosa e desértica, na qual a força do vento nos faz partículas em movimento, conta Rosa.
Em La Esperanza, uma estação de serviços tão hostil quanto a paisagem, na metade do caminho, mesmo parado o carro treme; a porta hesita em se abrir, para não correr o risco de ser arrancada. Descemos e somos empurrados por essa força invisível e onipresente. Refugiados no interior da confiteria (cafés e lanchonetes), em nosso espanto perguntamos: Venta sempre assim? Olhos duros de quem ouve o óbvio responde com a objetividade da paisagem: Estamos en el Sur!.
El Calafate é uma cidade bem preparada para o turismo. A 80 km da área sua central está localizado o Glaciar Perito Moreno: uma das mais maravilhosas geleiras continentais do mundo, cobrindo uma superfície de 195 km2. Junto a mais 12 glaciares constitui as grandes massas deslizantes de gelo e neve do Parque Nacional Los Glaciares. É mundialmente conhecido devido ao seu processo de ruptura: ao alcançar a margem fluvial, forma um dique natural de gelo represando as águas do Brazo Rico até o Canal de los Témpanos, que passam a aumentar seu nível, a pressionar, a erodir o gelo e finalmente a rompê-lo, permitindo-se novamente fluir até o Lago Argentino e transformando-se num espetáculo (a última ruptura ocorreu em 1988).
Atualmente, cedendo passagem constante a um pequeno fio de água, a extensão do Perito Moreno pode ser admirada de curta distância: passarelas colocam os visitantes diante de suas bordas, que chegam a atingir 60 m de altura.
A vasta superfície congelada impõe sua força montanha abaixo, adentrando lagos e vales, parando diante de quem a contempla como um manto que se rompe aos poucos, tronando ruidosamente, libertando pequenos tempanos (blocos de gelo desprendidos) que passam a navegar como veleiros lentos de diversos tamanhos.
Todo esse conjunto torna sua visita mágica e obrigatória, justificando plenamente o nome da curva, já no interior do Parque, que permite a primeira visão do Moreno: Curva do Suspiro. Passeios lacustres pelos Canal de los Témpanos, navegando no entorno de seus pequenos icebergs, aproximam ainda mais os visitantes de suas encostas.
Outros glaciares podem ser visitados no Parque Nacional, como o Mayo (34 km2), o Onelli (45 km2) e o maior deles, o Upsala, cobrindo 595 km2, só alcançado por barco. Agências oferecem também a possibilidade de trekkings guiados por sobre o gelo.


