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Folha 2 5m de leitura Atualizado em 13/01/2022, 18:11 assinante

Bens culturais de Ouro Preto estão em risco

Uma das cidades históricas mais importantes do Brasil sofre com a chuva e os deslizamentos de terra ameaçam seu patrimônio cultural

PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de janeiro de 2022

Eduardo Moura/ Folhapress
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Belo Horizonte -  Após um casarão histórico ter sido destruído na quinta-feira (13) por um deslizamento na cidade de Ouro Preto, na região central de Minas Gerais, a prefeitura afirma que vem realizando escoramentos e cobrindo com lonas os bens culturais que há décadas estão em risco. 

A histórica Ouro Preto (MG) sofre com as chuvas, a igreja matriz de São Bartolomeu está em risco e um casarão centenário foi destruído por deslizamento de terra
A histórica Ouro Preto (MG) sofre com as chuvas, a igreja matriz de São Bartolomeu está em risco e um casarão centenário foi destruído por deslizamento de terra |  Foto: iStock
 

"Foi realizado o lonamento da igreja matriz de São Bartolomeu e estão em fase de realização os escoramentos do telhado e edificação do casarão João Veloso, do casarão do Vira Saia, do chafariz da igreja do Bom Jesus de Matozinhos e de um imóvel localizado em núcleo tombado, na rua Santa Efigênia", afirma a secretária de Cultura e Turismo de Ouro Preto, Margareth Monteiro, elencando o patrimônio histórico em risco na cidade. 

"Ao assumirmos a gestão atual, fizemos um levantamento desses bens e estamos realizando intervenções emergenciais para sua proteção", diz. 

Segundo a Defesa Civil, não há demandas emergenciais de escoramento de bens culturais envolvendo o deslizamento de quinta. "Não apareceu essa demanda aqui para nós de prédios e igrejas históricas que estejam necessitando de escoramento, não chegou essa demanda —ainda", diz Charles Murta, geólogo da Defesa Civil de Ouro Preto. 

A Defesa Civil do município afirma ainda que a tragédia não deixou vítimas. 

O Ministério Público Federal pediu uma investigação das causas do desabamento dos imóveis históricos. O MPF solicitou ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, que o órgão apresente suas conclusões sobre os danos culturais, que identifique se há outros imóveis em situação de risco no local e que apresente medidas para preservação dos bens culturais. 

O MPF também pediu que a prefeitura de Ouro Preto esclareça as razões para o desabamento. O acidente ocorreu no morro da Forca, no centro histórico de Ouro Preto. Segundo Neri Moutinho, coordenador da Defesa Civil de Ouro Preto, o casarão pertence à prefeitura e estava interditado havia dez anos. 

Além do casarão, foi destruído um depósito que também estava fechado e interditado. De acordo com a Defesa Civil, as edificações são tombadas pelo Iphan. Os demais imóveis ao redor também estavam vazios. 

As chuvas que atingem Minas Gerais neste início de ano resultaram em mortes, destruição e transtornos no estado. Rios transbordaram, moradores deixaram suas casas devido a alagamentos ou ao risco de rompimento de barragens, e a circulação de veículos em rodovias foi afetada em mais de cem pontos. As empresas Vale, CSN e Usiminas paralisaram suas operações. 

Com as tempestades, 374 municípios mineiros estão em situação de emergência —Ouro Preto é um deles. 

Neste mês, a maior concentração de chuva foi registrada na região metropolitana de Belo Horizonte e nas regiões central e oeste de Minas. Em dezembro, as fortes chuvas causaram estragos no vale do Jequitinhonha e na região norte do estado, bem como no sul da Bahia. 

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