Benjor abre o Cabaré do Filo
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quinta-feira, 16 de maio de 2002
Nelson SatoReportagem Local 
Tirem as cadeiras da pista. O carioca Jorge Benjor e a Banda do Zé Pretinho vêm saudar a simpatia hoje, às 23 horas, abrindo a programação musical do Filo (Festival Internacional de Teatro de Londrina). O show inaugura o Cabaré que, a exemplo do ano passado, ocupa a área da antiga Maracaju (esquina das avenidas Tiradentes e Arthur Thomas).
O ingressos já estão esgotados. Benjor traz sua sacola de sucessos à cidade. Aos 60 anos de idade, deverá repassar os hits acumulados em mais de três décadas de carreira incluindo Chove Chuva, Que Maravilha, Mas que Nada, Cadê Teresa e W/Brasil. Provavelmente, as execuções venham nas versões recém-gravadas para o álbum Acústivo MTV, previsto para chegar às lojas daqui a uma semana simultaneamente à exibição do especial pela tevê.
Um fã mais exagerado diria que se não fosse pelo teor altamante dançante das canções, seria o caso de assistir ao show de joelhos. Afinal, Benjor habita a constelação dos gênios da MPB sendo o inventor do samba-rock e de outras levadas inimitáveis. No palco, ele poderá surpreender. Há quem aguarde a apresentação do artista apenas para vê-lo tocando o violão mítico, que trocou pela guitarra há 26 anos e que reencontrou nesta temporada para as gravações do CD acústico.
Na verdade, ninguém sabe o que o pai do suingue aprontará por aqui, afinal só agora ele pula do relativo ostracismo a que foi relegado nos últimos tempos. O músico decidiu abanar as teias de aranha do violão por sugestão de Paulinho Tapajós, diretor artístico de seu novo disco e parceiro constante em seus antológicos álbuns dos anos 70. Talvez, com o lançamento do CD, ele volte a experimentar um novo ciclo de sucesso.
Ciclo, porque é o que vem se sucedendo em sua trajetória errática pontuada por discos fabulosos, sumiços e gravações abaixo da média. Seu último álbum de estúdio, Músicas para Tocar no Elevador, é de 1997. Depois dele, Benjor acomodou-se na condição de compositor preferido das novas gerações, sendo gravado por nove entre dez nomes do pop nacional. No ano passado, a gravadora Universal prestou um serviço inestimável ao público reeditando títulos de sua fase áurea na coleção Samba & Soul.
Pelo pacote chegaram às lojas os CDs Samba Esquema Novo (1963), Sacudin Ben Samba (1964), Ben é Samba Bom (1964) e África Brasil (1976). É deste último a faixa Taj Mahal, cujo hipnótico refrão seria plagiado pelo roqueiro inglês Rod Stewart no hit Do you Think Im Sexy. Na ocasião, o brasileiro processaria e ganharia a causa nos tribunais. Foi, aliás, para não enfrentar tretas judiciais ligadas à arrecadação de direitos autorais de suas músicas no exterior que ele decidiu rebatizar o nome artístico trocando Jorge Ben por Jorge Benjor em 1989.
Na época, ele justificou a mudança argumentando que em alguns países estava sendo confundido com o cantor e guitarrista norte-americano George Benson. Entre os fãs, muitos associam a troca de codinome a preferências pessoais assinalando o marco a transformações na orientação estética do artista. A idéia é de que sua melhor fase traz a chancela de Jorge Ben, devendo ser garimpada no baú.
Há, inclusive, um site dedicado ao compositor usando a identidade anterior. A crítica especializada também sempre preferiu a discografia de Jorge Ben, saudada desde Samba Esquema Novo, o título de estréia. Quando este LP chegou às lojas, em 1963, ninguém sabia como classificá-lo. Já ali, o compositor estabelecia um estilo peculiar que o levaria a atravessar décadas sem nunca render-se a qualque moda, turma ou manifesto.
Passou pela Bossa Nova, cantou com Roberto Carlos na Jovem Guarda, colaborou com Caetano Veloso no Tropicalismo e abraçou a África. No show de hoje à noite, ele faz uma retrospectiva dessa trajetória. Depois dele, sobem ao palco os grupos locais Búfalos DÁgua e Madame Brechot. A programação do Cabaré prossegue com shows de Cordel do Fogo Encantado (amanhã), DJ Thaide (domingo), Ana Carolina (segunda-feira), Nando Reis (terça), Funk como le Gusta (quarta), Lenine (quinta), Tribo de Jah (sexta) e Beth Carvalho (sábado).


