Benjamin expõe seus achados plásticos em São Paulo
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domingo, 13 de junho de 1999
Por Maria Hirszman 
São Paulo, 14 (AE) - A exposição de Marcos Coelho Benjamin que será inaugurada amanhã na Galeria São Paulo, na Capital paulista, tem algo de inusitado, mas revela de forma sintomática o vigor da arte contemporânea brasileira e confirma a qualidade do trabalho desse artista mineiro. O que dá ao evento um caráter diferente é o fato de não se tratar de uma mostra individual comum. Os 18 trabalhos em exposição não foram realizados pelo artista com esse fim - Benjamin até se queixa de não ter sido informado de sua realização (atualmente ele é artista exclusivo da Galeria Marília Razuk em São Paulo), apesar de saber que suas obras têm vida própria depois de saírem de seu ateliê -, mas foram confiados à galeria para venda por um colecionador e admirador do artista mineiro.
Se esse tipo de iniciativa é comum no caso de artistas que já têm atrás de si uma longa trajetória, pode-se considerar uma exceção no caso de Benjamin que, apesar de ser um artista maduro e com um mercado consolidado, tem apenas 47 anos e muitos anos de produção pela frente. "Decidi realizar uma exposição em vez de avisar os clientes em potencial da disponibilidade das obras por causa da qualidade excepcional dos trabalhos, que compõem um conjunto coeso", afirma a galerista Regina Boni.
Outra característica das obras expostas na Galeria São Paulo é que são todas inéditas, nunca tendo sido expostas no Brasil. "Todas as peças foram compradas pelo colecionador (que não quer que sua identidade seja revelada) em exposições internacionais ou no próprio ateliê do artista e estavam até há pouco guardadas em Miami", conta a marchande. O lote que está sendo negociado atualmente reúne trabalhos realizados em 1992 e 1993, compondo dessa forma um conjunto harmônico, que dá à exposição uma interessante coerência criativa.
Nesse período, Benjamin revela uma preocupação em investigar diferentes materiais, que pertencem a universos completamente distintos e associados por suas conotações simbólicas aparentemente díspares. Desta forma, pérolas são contrapostas a uma lona velha e remendada e um metal ordinário serve de suporte a encantadores pingos de ouro. "Foi uma época em que explorei essas questões do muito precário e do quase nobre", diz Benjamin, apesar de não saber a lista completa dos trabalhos expostos.
Há também entre os trabalhos indicações das composições mais formalistas que marcam a produção do artista nos últimos anos, como a fascinante esfera de fatias concêntricas de cobre que hipnotizam o espectador logo que ele entra na galeria. Para Benjamin, sua trajetória não está marcada por fases ou ciclos distintos, mas por um vaivém de questões similares. "Nunca esgoto nada, uma exposição minha é sempre como uma colcha de retalhos."
A herança cultural mineira está presente em toda a sua produção. "Sem regionalismo, tenho uma forte relação com Minas, que se exprime pelo trabalho com diferentes materiais e um pensamento específico sobre arte", explica o artista. Benjamin não gosta de falar sobre seu trabalho e chega a evitar os títulos para que não transmitir nenhuma mensagem narrativa sobre o conteúdo da obra. "Costumo dizer que a obra é mais inteligente do que eu", brinca.
Essa necessidade de evitar o discurso narrativo foi o que o levou a deixar o cartunismo, que marcou o início de sua carreira. "O silêncio das artes plásticas passou a interessar-me mais do que o discurso do cartum", explica ele, lembrando no entanto que continua a ser, antes de tudo um desenhista e lamentando o fato de nunca ter conseguido expor esse lado de sua produção em São Paulo.
Daí o fato de suas peças serem tão difíceis de classificar. Não são objetos, nem pertencem ao campo da escultura ou da assemblage, parecendo muitas vezes desenhos tridimensionais. Como diz Regina Boni, que se diz grande admiradora de Benjamin, "são achados plásticos", que pertencem a um momento especial de sua carreira, no qual a riqueza do artesanato ainda está preservada. "Todo artista tem pontos brilhantes, luminosos em sua carreira", diz a marchande.
Serviço - Marcos Coelho Benjamin. De segunda a domingo, das 10 às 19 horas. Galeria de Arte São Paulo. Rua Estados Unidos, 1.456, em São Paulo, tel. (011) 852-8855. Até 15/7. Abertura às 21 horas.


