‘‘A Vida É Bela’’ levou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, o de Melhor Ator (para Roberto Benigni), o de melhor trilha sonora dramática (para Nicola Piovani), conseguiu o feito de diminuir a chatice tradicional da cerimônia do Oscar e abriu um pouco mais a porta do mercado norte-americano para os filmes em língua estrangeira. Na cerimônia de anteontem, o inglês do ator e diretor italiano estava pior do que nunca, mas seus discursos de agradecimento emocionaram e chamaram a atenção de muita gente para o cinema de fora.
A atriz Sophia Loren, na apresentação da categoria de Melhor Filme Estrangeiro, não escondeu a torcida pela produção que representava seu país. Ao declarar o nome do filme vencedor, jogou o envelope para cima e gritou ‘‘Roberto!’’. Benigni subiu em sua cadeira, colocou os braços para cima e beijou todo mundo nos arredores. Foi a primeira vez que um gringo de um filme em língua estrangeira ganhou o Oscar de Melhor Ator. A própria Loren foi a única a levar a estatueta de Melhor Atriz por uma produção não falada em inglês: em 1961, por ‘‘Duas Mulheres’’.
‘‘Este é um momento de alegria e eu quero beijar todo mundo, porque vocês são a natureza desta alegria’’, disse o ator em seu discurso de agradecimento, que tirou risadas da platéia, em parte por conta do inglês capenga. Um dos momentos mais emocionantes do Oscar foi quando o italiano agradeceu a seus pais, em Vergaio, na Toscana. ‘‘Eles me deram o maior presente, a pobreza.’’ Na parte séria do discurso, dedicou os prêmios aos milhões de mortos no holocausto. ‘‘Àqueles que não estão aqui, que deram suas vidas para que a gente possa dizer que a vida é bela.’’
O filme, que teve 7 indicações ao prêmio, inclusive na categoria de Melhor Filme, já é a produção em língua estrangeira mais bem-sucedida da história do cinema nos Estados Unidos. Arrecadou US$ 35,8 milhões no mercado norte-americano. No mundo inteiro, seu faturamento é de US$ 130 milhões. É a 10ª vitória da Itália na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, entre suas 26 indicações. ‘‘A Vida É Bela’’ abre a porta de Hollywood não apenas para o cinema italiano, mas para as produções estrangeiras em geral. Para alguns especialistas da indústria do cinema na América, o sucesso do filme italiano é mais uma tendência do que um aberração.
A comprovação da teoria da invasão estrangeira do cinema norte-americano está também em outras categorias. A apresentadora Whoopi Goldberg atestou o perfil globalizado do Oscar deste ano no início da cerimônia. ‘‘Alguns dos melhores atores e atrizes do cinema estão aqui esta noite e dois ou três são até americanos.’’ A citação foi, sem dúvida, mais a Benigni e Fernanda Montenegro do que aos ingleses e australianos que tiveram várias indicações em certas categorias.
‘‘Shakespeare Apaixonado’’, que ganhou 7 prêmios, é uma produção com financiamento britânico; o inglês Jeremy Shircore levou o prêmio de Melhor Maquiagem por seu trabalho em ‘‘Elizabeth’’; os dinamarqueses Kim Magnusson e Anders Thomas Jensen tiveram seu curta-metragem ‘‘Election Night’’ premiado; e a japonesa Keiko Ibi levou o prêmio de Melhor Documentário por ‘‘The Personals’’. As vitórias de ‘‘Shakespeare Apaixonado’’ nas categorias de direção de arte, trilha sonora de comédia e atriz coadjuvante (para Judi Dench) também têm passaporte britânico.France PresseRoberto Benigni com os Oscars de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Ator. No detalhe, Sophia Loren que deixou clara a torcida pela produção italianaRicardo Bairos
Planet Pop/AE

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