Bem-vindos ao mundo do pós-rock
O experimentalismo bate às portas do pop. O free jazz, o rock alemão dos anos 70 e a música eletrônica estão se cruzando em inesperadas composições no repertório de uma nova safra de bandas européias e norte-americanas.
A tendência, já batizada de pós-rock, recupera a ambição estética que marcou o gênero entre o final dos anos 60 e metade dos 70. O fenômeno começa a repercutir em grande escala, graças a eventos coletivos organizados pelos artistas catalogados na cena. Em fevereiro, uma temporada de shows deixou o público londrino pasmado com as apresentações das bandas Tortoise, Mouse on Mars, Salaryman e Long Fin Killie, que ocuparam o palco do Camden Electric Ballroom.
A corrente, que abrange representantes de variados países, foi mapeada numa edição recente da revista britânica Select, que incluiu sob o rótulo nomes como Trans Am, Labradford, Slint, Laika, Bowery Electric, Sea and Cake, Flying Saucer Attack, Third Eye Foundation e Ui (que lançou recentemente um CD em parceria com o Stereolab).
Tortoise é a principal referência da vertente. Depois de virar objeto de culto com o álbum Millions Now Living Will Never Die City Slang, lançado há dois anos, seus integrantes se trancaram no estúdio e saíram de lá com outra audaciosa coleção de peças instrumentais.
O novo trabalho, intitulado TNT, está chegando agora às importadoras brasileiras expandindo ao infinito a arquitetura musical projetada pela banda. Complexas e intrincadas, as onze faixas do CD estalam a vocação aventureira pela pesquisa sonora mesclando abordagens percussivas - que incorporam o drumnbass e roçam a world music (aqui chegam a lembrar, em alguns trechos, o grupo mineiro Uakti) - a atmosféricas improvisações moldadas sobre levadas minimalistas.
Bem-vindos ao mundo do pós-rock.ReproduçãoTortoise: expoente da corrente batizada pela mídia de pós-rock. Os arranjos instrumentais incluem até um xilofone, pouco usado pelas bandas pop.Nelson Sato





