O céu alaranjado clareava o horizonte, e suas cores contrastavam perfeitamente com o cenário desolado, o oceano de areia que seguia infinitamente. O abafamento sufocante daquela região parecia fazer todo o resto pairar no ar, quase como se o próprio tempo ficasse em suspensão, e o relógio demorava a passar. Ao longe, uma imagem fantasmagórica surgia, e quem observasse aquele momento poderia imaginar que estava em alguma espécie de transe ou miragem: ali estava um homem com uma câmera.
A região descrita, um deserto morto e inabitável, famoso pelo nome de ''empty quarter'' - literalmente ''quarteirão vazio'', em inglês - estende-se por mil quilômetros dentro dos Emirados Árabes, e é um dos lugares mais remotos do mundo. O homem com a câmera não é uma ilusão, seu nome é Guilherme Peraro, cineasta londrinense que participou da produção e direção de vários filmes, entre eles Haruo Ohara, vencedor de vários prêmios no festival de Gramado de 2010. ''Desde quando pisei pela primeira vez no Oriente Médio eu pensei em produzir um documentário que conseguisse retratar a sensação de viver em um lugar como aquele'' comenta.
Peraro é formado em Engenharia Civil e passou alguns anos trabalhando em uma empresa de prospecção de petróleo no Oriente Médio, mas nunca abandonou sua paixão pela sétima arte. ''Desde quando eu era pequeno sonhava em fazer filmes, assistia a tudo o que passava na TV e trocava fitas VHS com meus amigos. Acho que cinema tem mais a ver com paixão do que com qualquer outra coisa'' diz Guilherme, que transformou sua paixão em algo concreto ao ser um dos fundadores da Mostra Cinema de Londrina e conciliar sua carreira de engenheiro com uma produção cinematográfica respeitável. ''Acho que para fazer cinema é preciso dar o primeiro passo. Sua vontade de fazer um filme precisa ser maior do que qualquer outra coisa. No fim, sempre é muito gratificante.''

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