A língua portuguesa apresenta muitos casos em que um mesmo som pode ser representado por várias letras na escrita. O som de "ZA", por exemplo, pode ser de uma palavra escrita com S (casa), com X (exatamente) ou com Z mesmo (alteza). Essa variação não é exclusividade nossa, já que acontece na maioria dos idiomas, mas é, sem dúvida, uma das grandes fontes de dúvidas de muitos brasileiros. E uma das confusões mais comuns na cabeça de muitos estudantes é entre o uso de X ou CH. A boa notícia é que há algumas regrinhas que podem nos ajudar a evitar os erros.
Inicialmente, vamos lembrar de uma regra básica em ortografia: palavras da mesma "família" são geralmente escritas da mesma forma. Assim, se "luxo" é com X, "luxuoso" também será. O mesmo acontece com "inchar", "inchaço" e "desinchar", todos com CH.
Quanto ao uso do X, algumas dicas:
1 – Depois de um ditongo (duas vogais que ficam juntas na mesma sílaba), usa-se X, como em "caixa", "peixe", "baixo", "frouxo", etc. As únicas exceções são o verbo "recauchutar" e seus derivados ("recauchutado") e a palavra "guache".
2 – Quando a palavra começa com "ME", a sequência é com X: "mexer", "mexerica", "mexicano", etc. Neste caso, a exceção é o substantivo "mecha" ("uma mecha de cabelo").
3 – Em palavras iniciadas por "EN", também usamos X: "enxada", "enxame", "enxugar", etc. Aqui, a exceção são palavras iniciadas por CH e que ganharam a sílaba "EN" no início, como "encharcar" (que vem de "charco"), "encher" e "enchente" (vêm de "cheio") e assim por diante.
4 – Palavras de origem indígena, como "abacaxi" e "capixaba", ou africana, como "xingar" e "xará", são escritas com X. A mesma regra vale para palavras de outras línguas que foram aportuguesadas, como "xampu" ou "xerife", ambas do inglês.
A seguir, algumas palavrinhas escritas com X que costumam deixar algumas pessoas em dúvida, mas que não se encaixam nas regras anteriores (aliás, "encaixar" é com X porque vem de "caixa", ambas com ditongo):
GRAXA – FAXINA – CAXUMBA – XALE – LAXANTE – RIXA – XAXIM – XINGAR – VEXAME – BEXIGA – LAGARTIXA – XUCRO (essa admite também a grafia com CH – CHUCRO – em especial para se referir a alguém mal-educado).
Já com o uso de CH, infelizmente, não temos tantas regrinhas. É muito útil, entretanto, aquela dica citada lá no começo deste texto: palavras derivadas de outras escritas com CH manterão esta grafia. Algumas palavras com CH que podem causar dúvidas:
CHUCHU – APETRECHO – BOCHECHA – PICHAR – SALSICHA - LINCHAMENTO – FACHADA – BROCHE – CHICÓRIA – PECHINCHA – TCHAU – FANTOCHE – DEBOCHAR – CHOPE (a grafia "chopp", comum em cardápios, não existe em nossa língua).
Finalmente, é importante notar que existe ainda uma terceira maneira de se escrever o som em questão, além do X e do CH: o SH, bem mais raro, presente em palavras estrangeiras que não sofreram aportuguesamento, ou seja, que não tiveram sua grafia adaptada à nossa língua, como "show", "shopping" ou "short", por exemplo.
É importante destacar que há muitas palavras cuja grafia não segue nenhuma das regras descritas. Nesse caso, o melhor a fazer, em caso de dúvida, é consultar um dicionário ou o VOLP (vocabulário ortográfico da língua portuguesa). Em último caso, se não for possível esclarecer a questão na hora, opte por um sinônimo, para não fazer feio, mas não se esqueça de procurar, depois, o termo problemático.
Se precisar, mande um e-mail para nossa coluna. Até a próxima terça!

Flaviano Lopes – Professor de português e espanhol

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