BEM DITO
Em uma coluna anterior, vimos que os sinais de pontuação têm uma função muito importante. Eles são a maneira que temos de passar para a escrita algo que é típico da fala: a entonação. Isso é algo que fica claro quando pensamos, por exemplo, em uma pergunta. Aquela entonação típica no final da frase, indicando que esperamos uma resposta, é perfeitamente representada na escrita pelo ponto de interrogação.
Nesse contexto, a vírgula representa uma pausa. Mas não é aquela pausa que você dá quando para e pensa no que vai dizer (para isso temos as reticências), nem aquela "pausa" definitiva, quando você já terminou o que estava dizendo (esse é o ponto final). É aquela pequena pausa, entre uma palavra e outra, que serve para separar melhor as ideias.
É lógico que existem algumas regras para o uso da vírgula, e vamos falar das principais, mas uma das maneiras mais práticas de não errar é simplesmente ler o texto em voz alta. Assim, você vai conseguir perceber onde é necessário colocar aquela indicação de pausa. Se achar complicado nas primeiras vezes, dá para tentar uma outra estratégia: gravar a leitura do texto, ou pedir para alguém ler para você, e ouvir enquanto acompanha, para identificar os momentos em que uma vírgula cairia bem. Esse método também ajuda a notar onde não colocar o sinal, afinal de contas, se não há pausa na leitura, não precisamos de vírgula.
Quanto às regras, podemos resumi-las em alguns pontos básicos:
- Use a vírgula para separar elementos de uma enumeração, de uma lista (Comi verduras, legumes, frutas, arroz e carne).
- Também separamos com vírgula explicações no meio da frase. Essas explicações podem ser, por exemplo, um aposto (Maria, minha prima, não veio hoje) ou uma oração subordinada adjetiva explicativa (Maria, que estuda aqui, não veio hoje).
- Indicações de tempo, modo ou lugar também são separadas por vírgula quando vão no início da frase. Nesse caso, são consideradas adjuntos adverbiais (No mês de dezembro, chove bastante. De um modo geral, isso é bom para a agricultura. Em Londrina, as chuvas são abundantes.). Aqui cabe uma observação: se a expressão que vai no começo da frase for curtinha, formada por uma palavra só, a vírgula passa a ser opcional ("Amanhã, tenho compromisso" ou "Amanhã tenho compromisso").
- Orações independentes entre si podem ser separadas por vírgula (Levantou-se, saiu em seguida), desde que não haja nenhuma palavra fazendo esse serviço (Levantou-se e saiu em seguida). Só para dar nome aos bois: no primeiro caso temos duas orações coordenadas assindéticas, já no segundo, a conjunção E introduz uma oração coordenada sindética aditiva, fazendo o trabalho da vírgula.
- Usa-se a vírgula antes de conjunções adversativas, introduzindo orações coordenadas sindéticas adversativas. Não se assuste com os nomes, é mais fácil do que parece. Essas conjunções são palavrinhas como MAS, PORÉM, CONTUDO, ENTRETANTO, TODAVIA, etc. (Queria sair, mas não podia).
- Você já deve ter aprendido que não é bom usar vírgula antes da palavra E, mas há um caso em que esse uso é necessário, quando depois do E temos uma oração com sujeito diferente da primeira (João chegou na hora, e Maria se atrasou).
- A vírgula também pode ser usada para indicar a omissão de um termo, geralmente para evitar repetição (Eu comi arroz no almoço e, na janta, macarrão note como foi omitido o verbo comer da segunda oração).
Finalmente, tão importante quanto usar a vírgula no lugar certo é não usá-la quando é proibido. Aí o principal caso é entre sujeito e verbo, onde não se deve colocar o sinal de jeito nenhum (Minha mãe está trabalhando nem pense em por uma vírgula entre "mãe" e "está").
Ainda ficou com alguma dúvida? Mande para nosso e-mail. Até a próxima terça.
Flaviano Lopes - Professor de Português e Espanhol
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