BEM DITO
Hoje vamos tratar de alguns probleminhas relacionados à norma culta da língua portuguesa que, por diversas razões, acabam confundindo a vida de muita gente. Se você nunca teve nenhuma dúvida a respeito destes casos, parabéns! Seu nível de conhecimento da língua é muito bom. Mas minha experiência como professor de português me mostrou que muitos brasileiros se atrapalham em um ou outro ponto. Vamos lá!
MAL e MAU: Essa é uma confusão que existe, na verdade, por causa da letra L em final de palavra. Em praticamente todo nosso país, acabamos pronunciando essa letra como se fosse U: Escrevemos "SOL", mas falamos "SÓU", assim como "MEL" vira "MÉU" e "BRASIL" soa como "BRASIU". Até aí nada de mais, é só uma questão de pronúncia (ou sotaque), o problema é quando nos confundimos na hora de escrever também. Para lembrar: MAL é o contrário de BEM, sendo ambos advérbios (dormir bem dormir mal) ou substantivos (os males da vida, os bens da família). Já MAU é o oposto de BOM, funcionando como adjetivos (o bom menino os maus meninos) ou também substantivo (os bons os maus). Aliás, a melhor dica de não errar é pensar no contrário, pois geralmente não erramos quando usar BEM ou BOM.
MAS e MAIS: Outra confusão que vem da pronúncia, pois temos a tendência de, na hora de falar, colocar um I onde não há, como em "MÊS" (que falamos "MÊIS") ou "PAZ" (que vira "PAIZ"). Em todo caso: MAS é uma conjunção adversativa, quer dizer o mesmo que "porém" ou "entretanto" e deve ser usada quando vamos dizer algo contrário ao que foi dito antes (queria comprar algo, mas não tenho dinheiro). MAIS, que pode ser pronome ou advérbio, é o contrário de MENOS (ele leu mais livros que eu). Entendeu? Então não erre MAIS.
POR QUE, PORQUE, POR QUÊ e PORQUÊ: Praticamente um campeão de dúvidas, afinal, há quatro formas possíveis. Mas, na verdade, é mais fácil do que parece. Primeiramente, as duas formas sem acento: POR QUE, separado, se usa em perguntas (Por que você chegou atrasado?) e PORQUE, junto, em respostas ou explicações (Cheguei atrasado porque perdi o ônibus). Na forma POR QUÊ, separada e com acento, a questão não é o POR, mas sim o QUÊ. Esse pronome, quando colocado em final de frase, torna-se tônico e, portanto, deve ser acentuado. Ou seja, é tudo uma questão de posição: se está no começo ou no meio da sentença, não leva acento (O que aconteceu? Para que tantos livros?), mas no final sim (Aconteceu o quê? Está lendo o quê?). Inclusive, essa regra vale para o QUÊ sozinho ou acompanhando outras palavras (Está rindo por quê? O material é para quê?). E, finalmente, o PORQUÊ, junto e com acento. Nesse caso, temos um substantivo, que significa "causa", "razão" ou "motivo". É fácil de reconhecer que devemos usar essa forma, porque é a única das quatro que admite artigo (Não sei o porquê dessa confusão) e que tem plural (Os verdadeiros porquês ainda não apareceram).
MEIO e MEIA: Nesse caso, temos que observar o sentido da palavra, pois quando MEIO significa "metade", é um adjetivo variável, com feminino e plural (meio limão, meia laranja, meios melões e meias maçãs). A concordância, como você pode perceber, é feita com a palavra que acompanha. Por outro lado, se queremos usar MEIO com o sentido de "mais ou menos", passa a ser um advérbio, que é invariável, ou seja, fica sempre igual (ela está meio cansada, nós estamos meio atrasados, etc.).
Existem ainda alguns outros casos que deixam muita gente em dúvida, então voltaremos a esse assunto na semana que vem. Se tiver alguma questão parecida, mande para nosso e-mail. Até a próxima terça.
Flaviano Lopes é professor de português e espanhol
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