No próximo final de semana, dias 8 e 9, quase nove milhões de estudantes de todo o Brasil vão fazer as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Esse exame é muito importante, pois muitas universidades públicas utilizam a nota do aluno como critério de seleção, ou seja, ir bem na prova pode significar a entrada em um bom curso superior.
Algumas universidades utilizam o Enem com exclusividade, não tendo mais o vestibular (é o caso da maioria das federais); outras usam a nota do exame como parte do sistema de seleção, somada ao resultado do vestibular; outras ainda fazem uma divisão das vagas entre o Enem e o próprio exame. Além disso, até algumas universidades particulares acabam aproveitando o resultado do aluno, seja na forma de bolsas ou descontos (quanto maior sua nota no Enem, menos vai pagar de mensalidade) ou como um dos critérios para a obtenção do financiamento do Programa Universidade para Todos (Prouni).
O ideal é que você se informe, para ver se a universidade na qual está interessado utiliza ou não a nota do Enem. A UEL, só para citar um exemplo, é uma das que ainda não aderiram. Em todo caso, se você é uma das 8,7 milhões de pessoas que vai fazer as provas no sábado e no domingo, vamos falar um pouco sobre a prova de português.
Começamos pelo nome: o Enem não divide suas provas por matéria, mas por área, no nosso caso é a prova de "linguagens, códigos e suas tecnologias", que engloba português, redação e língua estrangeira (inglês ou espanhol).
Na parte de língua portuguesa, a prova valoriza muito a interpretação de textos, dos mais variados tipos: textos jornalísticos, quadrinhos, cartazes, poemas, etc. Com relação à literatura, não há uma lista de livros obrigatórios, como na maioria dos vestibulares, mas sempre aparecem trechos de obras conhecidas de escritores brasileiros. Nesses casos, as perguntas não são sobre a obra ou o autor como um todo, mas apenas sobre os trechos apresentados.
Bem, quanto à interpretação, independente do tipo de texto, a dica é ler, com calma e atenção, tanto o texto quanto o enunciado e as alternativas. Lembre-se de que interpretar não é simplesmente ler, mas entender o que é lido e raciocinar um pouco, relacionando as informações dadas. Se ficar em dúvida, volte ao texto e busque novamente o que necessita. Só tome cuidado para não perder muito tempo em uma única questão, pois a prova é extensa.
Raramente são cobrados conceitos de gramática teórica, como análise sintática ou morfológica, por exemplo. Mesmo quando aparece algo nesse sentido, é sempre interligado à interpretação, nunca de forma pura.
A redação é um único texto, com no máximo 30 linhas, do tipo dissertativo-argumentativo, do qual tratamos na coluna da semana passada. A prova sempre traz alguns textos para servirem de base e apresenta uma questão (ou "situação-problema") que deve ser desenvolvida. Segundo o próprio site oficial do exame, "o participante deve desenvolver uma reflexão escrita sobre um tema de ordem política, social ou cultural". Trocando em miúdos, o tema é sempre algo da atualidade. No ano passado foi sobre a Lei Seca e no anterior sobre imigração. Ajuda muito, portanto, se você for uma pessoa bem informada.
Você só vai zerar na redação se escrever menos de 7 linhas ou fugir muito do que foi pedido na proposta, mas o ideal é caprichar bastante, pois ela tem um peso razoável na nota total. Faça o rascunho com cuidado e revise-o muito bem antes de passar a limpo. Verifique se cumpriu plenamente o que foi pedido e se seguiu a norma culta da língua (ortografia, pontuação, etc.). Não tente "falar bonito", utilizar uma linguagem com a qual não está acostumado; o mais importante é a clareza na exposição das ideias e argumentos.
Finalmente, desejo toda a sorte do mundo pra quem vai encarar o desafio. Até semana que vem.

Encaminhe suas dúvidas ou sugestões para [email protected]

mockup