BEM DITO
Hoje vamos tratar de um tipo de texto muito frequente em concursos e vestibulares: a dissertação. Aliás, uma década atrás esse era praticamente o único gênero que caía nas provas. Hoje em dia, um vestibular como o da UEL, por exemplo, pede de dois a quatro textos de tipos variados. Entretanto, a dissertação continua sendo muito cobrada, ainda que com outros nomes. No vestibular da Universidade Estadual de Maringá (UEM), por exemplo, aparece a "resposta argumentativa", que nada mais é que uma dissertação direcionada, pois você deve responder uma pergunta e argumentar, fundamentar, justificar essa sua resposta.
Mas, afinal, o que é "dissertar"? Segundo os dicionários, é o mesmo que "discorrer", "discursar", ou seja, falar sobre algum assunto. Acontece que, para efeitos de vestibular, não basta simplesmente "falar", é preciso fundamentar as ideias, argumentar, explicar e, além de tudo interpretar, afinal de contas tudo começa com a correta interpretação da proposta.
Considerando a dissertação como um texto mais ou menos longo, de 20 a 30 linhas, por exemplo, espera-se que ela tenha a seguinte estrutura:
1 Introdução. É o primeiro parágrafo, onde se apresenta o tema ou a tese que será desenvolvida. Aqui é necessário situar o leitor a respeito do que será tratado a seguir. Existem várias maneiras de fazer isso. Uma das mais comuns é partir do "maior" para o "menor", ou seja, falar da questão de maneira genérica e ir especificando. Por exemplo: se você vai tratar do tema da violência em Londrina, pode começar falando do problema no mundo, no Brasil, até chegar à sua cidade. Outra forma é fazer uma contextualização histórica, comentando a evolução do problema com o passar dos anos. Mas dá também para ir diretamente ao ponto, sem rodeios. O importante é que você deixe claro do que é que vai falar na sequência.
2 Desenvolvimento. Consiste na maior parte do texto, geralmente composta por três ou quatro parágrafos, em que você deve abordar os diversos aspectos referentes ao tema. Se for um tema polêmico, que tem "dois lados" (como a redução da maioridade penal ou a legalização das drogas, por exemplo), é importante que você cite os argumentos a favor e contra, mesmo que for se posicionar de uma forma ou outra. Em outros casos, dependendo do assunto, pode ser interessante tratar de causas e consequências do problema, ou ainda de possíveis soluções. O mais importante é que cada ponto abordado tenha conexão com o próximo, e assim por diante (isso é coesão).
3 Conclusão. É o último parágrafo do texto, onde se faz um apanhado geral de tudo o que foi tratado e, como o próprio nome diz, chega-se a uma conclusão. É importante notar que a conclusão não precisa ser definitiva. Se o tema for espinhoso de mais, a conclusão pode ser simplesmente que... não há uma conclusão, é preciso discutir mais o assunto, etc. Isso, é claro, se a proposta de redação não pediu um posicionamento.
Além dessas três partes bem estruturadas, é importante que tudo o que você afirmar seja fundamentado. Aliás, já tratamos disso na coluna "O poder da argumentação" (dia 23/09). Também é legal manter uma linguagem formal, de preferência objetiva e impessoal (evite a 1ª pessoa). E, finalmente, deixe para pensar no título depois de terminar o texto. Ele deve ser criativo e o menos óbvio possível, ou seja, nada de "a violência em Londrina" ou "a legalização das drogas". Releia o que escreveu e tente tirar dali um título legal, que desperte a curiosidade e o interesse de seu leitor. Pode até ser uma pergunta, um trocadilho, etc.
No caso de uma "mini-dissertação", com espaço reduzido, é só reduzir a fórmula, mas continua sendo necessário introduzir o tema, desenvolvê-lo e concluir.
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Flaviano Lopes é professor de português e espanhol
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