BEM DITO
Na coluna da semana passada, falamos sobre os elementos que fazem parte do texto narrativo: narrador, personagens, espaço, tempo e enredo. Hoje, voltamos ao tema para tratar da estrutura de uma narração.
Primeiramente, é bom lembrar que narrativa não é só um tipo de redação, mas toda história que é contada, seja real ou inventada. Existem narrativas longas, como as telenovelas ou as séries de livros, narrativas médias, como um romance ou um filme, e as curtas, como os contos ou piadas. E em todas elas é possível identificar algumas partes bem definidas:
1 Situação inicial, que também pode ser chamada de introdução. É onde apresentamos ao nosso leitor (ou ouvinte) os elementos principais da narrativa. Em muitas histórias infantis, é o que vem depois do "era uma vez". Geralmente é aqui, no início da história, que aparece o personagem principal, o espaço onde ele se encontra e o tempo em que se desenvolverão os fatos do enredo. Não é necessário descrever tudo de uma vez, você pode ir dando mais detalhes durante a narrativa, mas é bom situar o leitor a respeito do que ele vai encontrar.
2 Conflito ou complicação é qualquer fato que mude aquela situação inicial. Apesar do nome, não precisa ser algo negativo, pode ser uma boa notícia que o personagem recebe ou até um fato corriqueiro, que vai por o enredo em andamento. Na história da Chapeuzinho Vermelho, por exemplo, tudo começa quando a mãe manda a personagem levar a cesta para a avó. Há narrativas desenvolvidas a partir de um único conflito, mas o mais comum é que outros vão aparecendo no decorrer do texto, sempre mudando, de alguma forma, o rumo da história.
3 Desenvolvimento: é tudo o que acontece a partir da complicação. Se, por exemplo, o personagem recebe uma carta anônima (conflito), o desenvolvimento são as ações que ele vai tomar a partir desse momento. Lá na história da Chapeuzinho, a ordem da mãe levou a menina a pegar a cesta e ir em direção à casa da avó. E, como foi dito antes, durante o desenvolvimento, podem surgir novos conflitos, cada um também com seu respectivo desenvolvimento, até chegar ao:
4 Clímax, que é o ponto alto da narrativa, o momento mais dramático. Nas histórias de amor, é aquele momento em que ficamos na expectativa: será que eles ficam juntos ou não? Já nas narrativas de ação ou aventura, é a famosa batalha final, entre os heróis e os vilões. Um bom clímax vai sendo construído ao longo da narrativa e deve deixar o leitor curioso para ver o que vai acontecer a seguir.
5 Desfecho. É o final da história, a resolução do clímax. Geralmente, quem está lendo, ouvindo ou assistindo a uma narrativa, espera um final feliz, mas isso não é obrigatório. Afinal, há muitas boas narrativas em que o "mocinho" morre no final (lembra do filme Titanic?). Entretanto, é importante destacar que um final não esperado tem que ser muito bem justificado. O herói não pode ser simplesmente atropelado enquanto atravessa a rua. Tudo o que acontece tem que ser coerente com o restante da história, tem que combinar.
Após o desfecho da narrativa, pode haver ou não um retorno à situação inicial (algo do tipo "e tudo voltou ao normal"), mas os bons personagens são aqueles que evoluem durante o enredo, que aprendem algo. Eles podem até voltar para o lugar ou posição que ocupavam no começo, mas são pessoas diferentes do que eram.
Proponho, novamente, um exercício: Pense em um bom livro que tenha lido ou um filme de que tenha gostado e tente identificar esses elementos. Procure perceber quais são os conflitos, seus desenvolvimentos, o clímax e como ele se resolve; e compare a situação inicial com a final. E se quiser compartilhar suas ideias, é só mandar para [email protected].
Até semana que vem.
Flaviano Lopes é professor de português e espanhol
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