Segundo os dicionários, narrar é contar uma história. Pensando em termos de textos, as narrativas podem ser feitas em diversos formatos, como contos, romances, relatos, fábulas, e até mesmo de forma poética ou em letras de música (Faroeste Caboclo, de Renato Russo, é uma narrativa perfeita, por exemplo).
Em vestibulares, concursos e no ambiente escolar de um modo geral, as narrativas curtas são um gênero bastante comum, uma vez que exigem de quem as escreve a capacidade de organizar de forma coerente todos os elementos que compõem a história, além, é claro, de um bom domínio da língua.
Em termos práticos, todo texto narrativo deve conter cinco elementos, que devem ser corretamente desenvolvidos dentro da proposta apresentada:

1 – O narrador: É quem conta a história. Pode ser alguém que participa da história, sendo, nesse caso, chamado de narrador-personagem ou narrador em primeira pessoa; mas também pode ser alguém "de fora", um narrador-observador (ou narrador em terceira pessoa). Cada uma das opções tem suas vantagens e desvantagens, pois o personagem pode expressar seu próprio ponto de vista sobre os acontecimentos, já que está vivenciando cada momento, enquanto que o observador já apresenta uma visão mais isenta, objetiva. Inclusive, nesse último caso (narrador-observador), é possível que ele seja onisciente (sabe tudo o que os personagens pensam e sentem) ou não (só narra o que "vê", como num filme). É importante notar que você só pode escolher o tipo do narrador se isso não estiver especificado na proposta de redação; caso contrário, siga o que foi pedido. Outro detalhe: o narrador não é o escritor, ou seja, não sou eu que conto a história, ela pode ser narrada por alguém que não tem nada a ver comigo.

2 – O espaço: é o lugar (ou lugares) onde se desenvolve a história. Deve ser especificado e descrito conforme a necessidade. Não é preciso gastar 10 linhas para descrever cada objeto de uma sala se nenhum deles vai ser relevante para os acontecimentos da história. Explique só o que for realmente importante para a narrativa.

3 – O tempo. Aqui tratamos de duas informações: quando se passa a história e quanto tempo ela dura. Não é preciso ser específico, dizer a data exata. Às vezes, os próprios acontecimentos dão uma boa noção do tempo. Por exemplo, os contos de fada nunca trazem data, mas podemos perfeitamente situá-los em um passado distante, a partir dos elementos de cada um (príncipes, princesas, cavaleiros, etc.).

4 – Os personagens: São aqueles com quem se passam os fatos de sua história. Geralmente há um ou mais protagonistas (personagens principais) e os coadjuvantes (secundários). É importante descrevê-los bem, física e psicologicamente, valorizando as características que serão importantes para a narrativa. Uma dica: não precisa descrever tudo de uma vez, você pode ir revelando as características no decorrer do texto.

5 – O enredo: É a história propriamente dita, os fatos que acontecem com os personagens, dentro daquele espaço e tempo, contados pelo narrador. Tem que ter coerência, começo, meio e fim, tudo dentro da proposta ou tema que foi pedido. Um bom enredo é envolvente e prende a atenção do leitor do começo ao fim. Para ser bem estruturado, ele deve apresentar cinco partes bem definidas, que vamos especificar melhor semana que vem (por isso o "1ª parte" lá no título).

É legal destacar que narrativas não são somente escritas, afinal de contas os filmes, as novelas e os seriados também são maneiras de se contar uma história. Proponho um exercício simples: quando tiver oportunidade, tente identificar esses cinco elementos em alguma narrativa de que tenha gostado. Pode ser seu filme preferido, um romance que está lendo ou até, por que não, um desenho animado.
Continuaremos falando disso semana que vem. Enquanto isso, mande seus comentários para [email protected]. Até a próxima terça.

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