Gramática é, de uma maneira simples, o conjunto de regras para o uso de uma língua. Até aí nenhuma novidade, certo? O que talvez você não saiba é que gramática não é uma coisa só. Primeiramente, podemos falar de alguns tipos de gramática, de acordo com a forma como se aborda o estudo da língua.
Por exemplo, se estamos preocupados com as normas e regras, com o que é "certo" ou "errado", falamos da gramática normativa. É o que os alunos mais estudam nas aulas de língua portuguesa. Assuntos como ortografia, concordância ou regência são vistos aqui.
Outro enfoque possível é o da gramática descritiva, que, diferentemente da normativa, descreve e estuda a maneira como a língua é usada, sem se preocupar com regras. Para a gramática descritiva, não existe certo ou errado. O que importa aqui é como as pessoas usam o português para se comunicar.
Podemos também citar a gramática histórica, que vai tratar de como a língua evolui com o passar do tempo, incluindo aí suas origens. Quando você vê, por exemplo, a palavra pharmacia com PH, está no campo da gramática histórica.
Finalmente, há ainda a gramática comparativa (ou contrastiva), que vai se ocupar das diferenças e semelhanças entre duas ou mais línguas. Se compararmos as regras de acentuação do português e do espanhol, por exemplo, trata-se desse tipo de gramática.
Além desses tipos, podemos falar também de algumas divisões da gramática. Mesmo que fiquemos só na normativa, mais tradicional, é possível estudar a língua a partir de diversos pontos de vista, diversos enfoques. Se você é estudante, já deve ter reparado que esse tipo de divisão acontece em praticamente todas as disciplinas. Por exemplo, em biologia você vê genética, botânica, zoologia, etc.
E no caso da língua? Bem, os estudiosos costumam observar diversas divisões possíveis, mas as principais são:
1 – Morfologia: é a parte que estuda a forma das palavras. Quando você quer saber como é o plural ou o feminino de algum termo, está estudando morfologia. Além disso, é aqui que tratamos das famosas classes de palavras (substantivos, adjetivos, verbos, etc.), que serão tema de uma das próximas colunas.
2 – Sintaxe: Trata da função das palavras dentro de um texto. Fazer a análise sintática de uma frase é identificar termos como o sujeito, o objeto direto, os adjuntos, etc.
3 – Fonética e fonologia: são duas áreas muito próximas, que vão se ocupar dos sons de uma língua. Se você observar, por exemplo, que o X pode ser pronunciado de maneiras diferentes, dependendo da palavra (como em xícara, exatamente e táxi), está estudando isso.
4 – Semântica: é onde estudamos o significado e o sentido das palavras. Tanto pode tratar do simples significado básico de um termo (como o que você encontra, por exemplo, no dicionário) até a relação entre as palavras, com conceitos como sinônimos e antônimos, denotação e conotação, etc.
Essas seriam as quatro áreas mais básicas, estudadas no ensino fundamental e médio, mas daria ainda para falar de estilística (aplicação prática da língua dentro de determinados contextos), etimologia (origem histórica de cada palavra da língua) e várias outras divisões e subdivisões, que geralmente são estudadas de maneira mais completa apenas no ensino superior, como na faculdade de Letras, por exemplo.
Para falar e escrever em bom português, não é necessário você decorar todos esses nomes, mas não custa ter uma noçãozinha. E, mais importante, entender que a língua que você usa não é uma coisa única, pode ser observada e estudada a partir de diversos pontos de vista.
Continue lendo bastante e enviando suas dúvidas e comentários para [email protected], como fez o professor Moacir Ferreira, do Colégio Estadual Machado de Assis, de Barbosa Ferraz. Parabéns pelo trabalho, professor, a você e a seus alunos. Até a próxima terça.

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