BEM DITO
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Flaviano Lopes - Professor de Português e Espanhol 
Se você está estudando redação para algum concurso ou vestibular, certamente já ouviu falar de textos argumentativos. O tipo mais comum é a famosa dissertação (da qual vamos falar mais detalhadamente em outra coluna), mas argumentação é algo presente e necessário em diversos outros tipos de texto, como o artigo de opinião, por exemplo.
De maneira bem simples, argumentar é explicar, justificar e fundamentar uma opinião, um ponto de vista, a fim de tentar convencer alguém disso. Pensando assim, é fácil concluir que praticamente qualquer tipo de texto pode conter argumentação. Até mesmo em um texto ficcional, como uma narrativa, os personagens podem fazer uso desse recurso.
Sem contar que saber argumentar é algo muito útil não só nas redações, mas para a própria vida. Afinal de contas, você tem que argumentar para ganhar uma discussão ou para vender um produto. Então, como fazer uma boa argumentação?
Primeiramente, é importante destacar que toda argumentação, para ser válida, tem que ser racional, baseada em fatos, no raciocínio lógico. Aqui vale aquela velha ideia do "porque sim não é resposta", tudo tem que ser muito bem explicado. Opiniões são pessoais e devem ser respeitadas, mas não servem como argumento. Se você disser que algo é bom porque "é bonito" ou "é legal", não vai convencer ninguém. Religião também não costuma servir como argumento, pois é algo baseado na fé e não na razão. Dizer que algo é assim porque "Deus quis" ou porque está na Bíblia só vai funcionar com alguém que tenha as mesmas crenças que você.
Uma boa maneira de fundamentar suas ideias pode ser através de citações, ou seja, você cita o que diz alguém a respeito do mesmo ponto de vista. É lógico que isso só vai funcionar se você citar uma pessoa relevante, uma autoridade no assunto. Pode ser um político que ocupe cargo de destaque, um médico conhecido ou um empresário bem-sucedido, vai depender do assunto. O importante é que seja alguém conhecido, respeitado e que tenha conhecimento do tema. Só não vale inventar.
Outra forma bastante simples de argumentar é através de dados concretos. Pode ser uma pesquisa que foi divulgada recentemente, algum fato relevante que tenha saído na imprensa ou qualquer outra informação que seja de conhecimento público. Mais uma vez: não vale inventar.
Também dá para usar raciocínio lógico, para mostrar que a sua opinião não é algo gratuito, inexplicável, mas sim uma conclusão a que você chegou após pensar bastante. Esse tipo de argumentação funciona bastante se for bem construído, já que seu leitor/ouvinte vai seguir seu raciocínio e, provavelmente, chegar à mesma conclusão que você.
Existem vários outros tipos de argumentação, e vamos tratar mais desse assunto futuramente. Em todo caso, já dá pra você começar a praticar esse recurso tão importante. Aliás, sabe por que é importante? Porque, segundo o IBGE (argumento de autoridade), cerca de um quarto da população brasileira (dados estatísticos) não é capaz de entender ou produzir textos simples; isso só pode ser combatido com estudo e dedicação (raciocínio lógico). Viu como é fácil?
Se tiver alguma dúvida ou comentário, mande para [email protected]. Aproveito para parabenizar os alunos do 5º ano B da Escola Municipal Nina Gardemann, que têm acompanhado e usado esta coluna em sala de aula. Um abraço a todos vocês e à professora Olga Fonseca pelo trabalho. Até a próxima terça!
Encaminhe suas dúvidas ou sugestões para [email protected]


