BEM DITO
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segunda-feira, 01 de setembro de 2014
Flaviano Lopes 
Duas semanas atrás falamos sobre a importância de observar as regras de ortografia, ou seja, escrever corretamente as palavras de nossa língua. Mas afinal de contas, de onde vêm tantas regras? Por que não podemos simplesmente escrever como falamos?
Na verdade, a grafia das palavras como conhecemos hoje veio justamente da fala. Acontece que quando o português surgiu, lá pelo século 13, as pessoas escreviam as palavras como achavam que devia ser, baseando-se na pronúncia. Lógico que isso causava alguma confusão, pois, afinal de contas, cada um escrevia do seu jeito. Até que um rei de Portugal, querendo acabar com a bagunça, determinou que fossem estabelecidas regras, para que todos no reino entendessem o que fosse escrito.
Claro que não foi tão simples, o processo teve que ir passando por ajustes ao longo do tempo. Aliás, até hoje se fazem necessárias algumas reformas ortográficas de vez em quando.
Mas, voltando às regras, o que teria levado aqueles primeiros gramáticos a decidir entre uma ou outra forma de escrever as palavras? Não há uma única resposta: em alguns casos foi um motivo histórico, adotando-se a grafia original de uma palavra que veio do latim ou do grego, por exemplo. Em outros, foi uma questão de consenso, passando a valer a escrita mais utilizada na época. E, por incrível que possa parecer, há palavras cuja grafia é puramente arbitrária, decidiu-se por essa escrita porque sim.
Tudo bem que isso foi lá nos primórdios de nossa língua. Hoje em dia a coisa é bem mais organizada. A maneira como escrevemos atualmente é fruto de acordos oficiais que envolvem todos os países falantes de português, inclusive com peso de lei. Portanto, escrever corretamente não é apenas uma "frescura" de professores, trata-se de um padrão estabelecido como regra.
O que fazer, então? Ler muito você sabe que ajuda, assim como recorrer ao dicionário sempre que necessário. Mas existem algumas regrinhas que podem facilitar a sua vida.
Em primeiro lugar, cuidado com o que fala. De verdade. Um dos maiores vilões quando o assunto é ortografia é o hábito de falar errado. Os enganos da fala, mais cedo ou mais tarde, vão acabar aparecendo na escrita. E não são só os erros mais gritantes, como "pobrema", mas errinhos bobos do dia a dia, como "siguinificado" (em vez de "significado"), por exemplo.
Além disso, uma regra de ouro, que quase nunca tem exceção, é que palavras derivadas sempre seguem a grafia da palavra primitiva. Ou, trocando em miúdos, palavras da mesma "família" são escritas do mesmo jeito. Por exemplo, se "graxa" é com X, então "engraxate" e "engraxar" também se escrevem com a mesma letra. Já "pichador" e "pichação" vêm de "piche", mantendo o CH original.
Aliás, aproveitando esse último exemplo, vai uma dica importante: cuidado com o que você lê por aí, principalmente na Internet. No caso da "pichação", é extremamente comum ver a grafia com X ("pixação"), que não é correta. As mudanças na língua escrita vêm da fala, mas é algo que demora muito tempo para ser incorporado à regra. Para que "pharmacia" virasse "farmácia", por exemplo, foram necessários alguns séculos. Pensando assim, talvez seus netos possam escrever "pixador", com X, mas ainda vai demorar um pouco.
Existem várias regrinhas que ajudam a dar conta dos casos mais complicados (X ou CH, G ou J, SS ou Ç, etc.). Não se preocupe, vamos falar delas nas próximas semanas. Enquanto isso, uma última pergunta: você sabia que os nomes próprios também precisam seguir as regras de ortografia?
É verdade. Existe uma questão cultural aqui no Brasil, segundo a qual a grafia do nome de alguém depende única e exclusivamente da vontade dos pais. Mas em Portugal, por exemplo, não é assim. Por lá, você escolhe o nome do seu filho, mas ele deve ser escrito de acordo com as regras, e não pela sua "criatividade".
Até terça que vem.
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