BEM DITO
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segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Flaviano Lopes<br>n Encaminhe suas dúvidas para [email protected] 
Com certeza, você já ouviu falar de "regras de ortografia" ou "erros de ortografia", mas já parou para pensar em que tipo de regras (e de erros) estamos falando? A palavra ortografia é a junção de duas palavras gregas: "ortho", que significa "correto" (e que está presente também em palavras como ortodontista ou ortopedista, por exemplo) e "graphos", que quer dizer "escrita". Então, ortografia seria o mesmo que escrita correta. É, na verdade, uma parte da gramática que ensina a escrever corretamente as palavras de uma língua.
Daí você poderia, então, deduzir que se falar errado, mas escrever certo não há problema, correto? Acontece que não é bem assim. Primeiramente, os estudiosos da língua não costumam usar os termos "certo" e "errado", o melhor seria dizer que o uso do português foi "adequado" ou "inadequado". Afinal de contas, lembre-se que o objetivo primário da língua é a comunicação, e se ela foi bem sucedida, não tem nenhum problema em ter fugido um pouquinho das regras aqui ou ali.
Imagine alguma situação informal do seu dia a dia, como um joguinho de futebol com os amigos ou um simples bate-papo. Se você ficar preocupado demais com a forma como vai dizer algo, se está gramaticalmente correto ou não, acaba perdendo metade da conversa (e o gol). Então, o que vale é conseguir se comunicar.
Entretanto, na sua vida profissional ou escolar, as regras passam a ser muito mais valorizadas (falamos sobre isso na coluna do dia 5 de agosto, lembra?). Se a amiga que está ouvindo sua fofoca não se importa com o "pobrema" que você soltou, os professores que corrigem as redações de vestibular vão ser muito mais exigentes, assim como seu chefe com relação aos relatórios e documentos da empresa.
E não pense que o problema é só na escrita: falar um português muito fora da regra também vai comprometer muito a sua imagem, dependendo da situação. Sem contar que a grande maioria das pessoas que cometem erros na fala acabam também cometendo os mesmos erros na hora de escrever. Ou seja, aquele "pobrema" que você achou que só estava na fala, mais cedo ou mais tarde vai acabar aparecendo nos seus textos.
Outro detalhe é que erros de ortografia não são exclusividade de gente "ignorante". Como diz a sabedoria popular, errar é humano, o que quer dizer que mesmo pessoas cultas e muito estudadas cometem seus errinhos de vez em quando.
Então, o que fazer? Antes que você pense em tentar decorar o dicionário (o que seria, no mínimo, muito trabalhoso e pouco produtivo), vamos a algumas dicas:
1 Leia. Quem lê muito escreve melhor e erra menos. A explicação é simples: você se acostuma a ver as palavras corretas e, automaticamente, passa a prestar mais atenção nos erros.
2 Não fique com dúvidas. Está difícil decidir se aquela palavra é com X ou CH? Não chute: procure em um bom dicionário. Se não tiver um à mão, ligue no disque-gramática da UEL (3371-4619) ou, simplesmente, pergunte a alguém que estiver por perto (não tenha vergonha, é pior escrever errado).
3 Aprenda com seus erros. O maior problema não é se atrapalhar uma vez ou outra, mas continuar errando. Isso, aliás, não vale só pra língua, mas pra tudo na nossa vida.
4 Na dúvida, não escreva. Se for pra correr o risco de errar, é preferível evitar a palavra problemática e tirar a dúvida depois. Tente pensar em sinônimos ou em outras maneiras de passar a mesma informação. Como diz aquela velhíssima piada, se não souber escrever "sessenta", é melhor fazer dois cheques de trinta.
Claro que existem algumas regrinhas que ajudam muito, e vamos tratar delas aqui. Na maioria das vezes, é algo bem mais simples do que as pessoas imaginam. Até a próxima terça.


