Primeiramente, você sabe o que é um texto? Se pensou apenas em um monte de palavras juntas, acertou e errou ao mesmo tempo. As palavras (escritas ou faladas) são um tipo de texto, chamado de texto verbal. Acontece que existe também o texto não-verbal, que é qualquer modo de passar uma mensagem ou informação sem usar palavras.
Complicado? De jeito nenhum! A luz vermelha do semáforo é um texto, assim como a verde. Aquelas placas de trânsito sem nenhuma palavra também (virar à esquerda, contramão, etc.). E o barulhinho de uma mensagem chegando no seu celular? Não está passando uma informação? Ou ainda, quando cruza com um conhecido e levanta o dedão, em sinal de positivo. Esse gesto não está mandando uma mensagem?
Saiba que a interpretação de textos não-verbais vem sendo muito valorizada em provas de vestibulares e concursos. A atenção e o raciocínio necessários para interpretar uma letra de música ou poema é que vão ajudar a entender uma pintura ou escultura, por exemplo.
E o texto verbal? Aí entramos em uma variedade virtualmente infinita de tipos e gêneros. Afinal, é tudo o que usa palavras para comunicar. Os linguistas (pessoas que estudam a estrutura das línguas) costumam dividir os textos verbais em grandes grupos ou gêneros, de acordo com suas características. Os principais são:
1 – Narração, ou textos narrativos (geralmente ficcionais): romances, contos, fábulas, lendas, piadas, etc.
2 – Relato: É uma variação da narração, mas real, não ficcional, como biografias, diários, currículos, notícias, relatos históricos, etc.
3 – Argumentação, ou textos argumentativos, que são aqueles que explicam, justificam, fundamentam. Nas aulas de redação, são as dissertações. Outros exemplos: cartas, resenhas, editoriais, textos de opinião, etc.
4 – Textos expositivos: trazem informações objetivas, como em palestras, relatórios, conferências, entrevistas, etc.
5 – Textos instrucionais: como o nome diz, servem para dar instruções sobre algo. São os manuais de instrução, receitas de cozinha, regulamentos, etc.
E não para por aí. Se você pesquisar, ou mesmo só parar para pensar um pouquinho, vai perceber que existem alguns textos do seu dia a dia que misturam um pouco de tudo, como uma matéria em uma revista, por exemplo, que pode ser expositiva (ao mostrar um lugar, uma situação), argumentativa (dando explicações para a situação) e um relato (ao contar os fatos), ao mesmo tempo. Pensando assim, a variedade de tipos de textos seria infinita!
Aí talvez você pense: "E como é que eu vou aprender tudo isso?". A boa notícia é que você não precisa, uns 99% você já sabe. Afinal, você tem contato com textos de todo tipo o dia inteiro: as notícias no rádio, o que lê no seu trabalho, as propagandas que vê pelo caminho, tudo o que aparece escrito na TV, a embalagem de qualquer produto...
Parabéns! Você já conhece muito sobre tipologia textual. O 1% que falta é começar a prestar atenção em cada tipo, perceber quais são as características de cada um. O que é que faz uma notícia no jornal ser diferente de uma piada? Por que um manual de instruções não tem nada a ver com uma letra de música? Quando começamos a notar esses detalhes, escrever um texto fica muito mais fácil.
Para ajudar, vamos tratar dos principais tipos aqui, mas dá pra começar a prestar atenção desde já. Só pra constar: em muitos vestibulares, fazer um texto do tipo diferente do que foi pedido pode zerar sua redação, o que automaticamente elimina qualquer candidato. Mas não se preocupe: como eu disse semana passada, é mais fácil do que parece. Voltamos a falar de português na próxima terça. Enquanto isso, mande suas dúvidas e sugestões.

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