Com todo o seu patrimônio natural, Maraú está descobrindo no ecoturismo uma vocação para o desenvolvimento sustentável. Nos últimos anos, a atividade vem se firmando, incorporando as comunidades locais, gerando empregos e criando uma importante consciência ecológica.
Ecopioneiros na região, os paulistas Marcelo e Isnei Monteiro, proprietários da Pousada Lagoa do Cassange, instalaram-se lá há sete anos. É deles o mérito do trabalho de conscientização que resultou na implantação da Área de Proteção Ambiental (APA) de Maraú. ''Estamos lutando para consolidar esse destino ecoturístico, pois só assim dá para interagir com o meio ambiente sem danificá-lo'', diz Marcelo. Ele conta que uma mineradora já tentou extrair metal na península. Graças à mobilização do povo a idéia não vingou.
Considerada a primeira em âmbito municipal criada na Bahia, a APA de Maraú protege cachoeiras, ilhas, recifes de corais, lagoas, rios e manguezais. O ecossistema predominante na região é a restinga, caracterizada por uma vegetação variada e rica em espécies endêmicas, de uso medicinal, alimentício, madeireiro e artesanal. Em trechos de transição entre a Mata Atlântica e a restinga, encontram-se plantas como o junco e a piaçava, além de uma infinidade de bromélias.
Sem contar animais ameaçados de extinção: suçuarana, gato maracajá, lontra, macaco prego de peito amarelo... Espécies da fauna aquática também correm risco de sumir do mapa. É a pesca predatória. À utilização de artefatos proibidos, como espinhéis, somam-se outras práticas nocivas, como captura de filhotes em época de desova. Não há fiscalização que limite as áreas de pesca e determine o tamanho permitido do pescado ou as técnicas sustentáveis adequadas. Por essas e outras, a Península de Maraú, apesar de distante, também sofre ameaças à sua integridade e beleza. Cabe a nós conhecê-la e preservá-la.

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