Beleza selvagem é maior atração do Amazonas
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terça-feira, 02 de maio de 2006
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba A Floresta Amazônica povoa o imaginário não só dos brasileiros, mas do mundo todo. A beleza exótica da fauna e da flora, os povos índigenas, o misticismo das lendas, o poder das plantas medicinais e a presença de um rio que mais parece um mar de água doce, formam uma combinação irresistível para quem deseja um dia viver uma aventura, de verdade, na selva. O ecoturismo é o maior atrativo do Estado do Amazonas, que recebe cerca de 300 mil turistas, por ano.
E a porta de entrada para conhecer o maior bioma do planeta é a capital amazonense. Manaus é um destino que reúne a imagem do Brasil lá fora: natureza esplêndida, cultura regional marcante, altas temperaturas, gastronomia farta e povo mestiço de energia vibrante (miscigenação indígena, nordestina, portuguesa e oriental). Um dos pontos turísticos que mais desperta curiosidade e ansiedade nos visitantes é o Encontro das Águas. Talvez pelo suspense enquanto aguarda a chegada até o local, cerca de trinta minutos de barco. O mais provável é que seja pela oportunidade em testemunhar o berço do Rio Amazonas, um espetáculo da natureza.
As águas escuras do rio Negro não se misturam, por cerca de 6 quilômetros, com as águas turvas do Solimões, devido às diferenças de densidade, velocidade e temperatura. O rio é negro porque as nascentes nos igarapés já têm água escura por conta das folhas que se depositam lá. As margens por onde o rio passa são mais resistentes, ao contrário do Solimões, que tem correnteza mais forte e sai carregando terra barrenta, explica o barqueiro Nilo Pereira.
Os turistas podem visualizar os animais no zoológico da cidade, mas também podem fazê-lo na própria natureza em passeios específicos, como a observação de pássaros na mata (araras, tucanos, papagaios, galo da serra), focagem de jacaré e pesca esportiva. Estas duas últimas são realizadas pelo receptivo Fonte Turismo (Fontur), de Manaus, na Lagoa de Janauary e em cruzeiros noturnos nos canais que fazem o elo entre o Negro e o Solimões.
A pesca de piranha e outros peixes típicos da região é feita ao anoitecer. Já a focagem de jacaré, que é literalmente observar o comportamento dos animais com lanternas potentes no escuro, entre 18h e 19h. Na focagem, guias profissionais fazem a captura temporária do jacaré para observação, sendo depois devolvido a seu habitat natural.
A Fontur também oferece dois outros passeios bastante procurados: visita às cachoeiras de Presidente Figueiredo e ao arquipélago de Anavilhanas. Para conhecer as cachoeiras é preciso, primeiro, fazer uma viagem de ônibus até o município, que fica a 107 km (pela BR-174) da capital. Chegando lá, se faz uma rápida caminhada na floresta até encontrar as cachoeiras Santuário e de Iracema, além das corredeiras de Urubuí, assentadas em rochas areníticas. Em todos os locais é permitido banhar-se.
Já a visita a Anavilhanas é feita de barco, de onde se avistam as ilhas que formam o arquipélago (cerca de 400). Não é possível desembarcar no lugar, já que se trata de uma reserva ambiental. Neste passeio, a Fontur ainda inclui a ida a Vila de Piricatuba lá estão as ruínas do forte construído no tempo áureo da extração da borracha e a hotéis de selva como o Ariaú Towers e Jungle Palace, além de participar de rituais indígenas na Vila de Tupé.
Em breve, o turista vai encontrar em Manaus seis parques ambientais, que estão em fase de implantação. Por enquanto, a dica é conhecer o Jardim Botânico (Rua Uirapuru, Cidade de Deus), na zona leste da capital. Ele é o maior do mundo, com cerca de 100 quilômetros quadrados de área, e fica dentro da reserva biológica Adolpho Ducke. De acordo com a Fundação de Cultura do Município, lá podem ser feitas trilhas interpretativas monitoradas por guia para conhecer um imenso tapete natural, de aproximadamente três quilômetros, com árvores gigantescas e pré-históricas.
Ainda existem no lugar cipós, trepadeiras, troncos jovens e antigos, cogumelos, flores exóticas e uma série de canto de pássaros, e ainda uma biblioteca com acervo especializado em botânica e meio ambiente, exposições e viveiro de mudas de espécies amozônicas. Para todos os passeios existem regras básicas de ecoturismo a serem seguidas e fica também a sugestão, bem útil, de levar a tiracolo óculos de sol, protetor solar, capa de chuva e repelente de insetos. E prepare-se para viver experiências intensas.


