Descarte a primeira impressão. Esta é uma condição essencial para descobrir as riquezas do Parque Nacional da Serra do Cipó, em Minas Gerais. A 100 quilômetros de Belo Horizonte, o lugar, de longe, pode parecer um mero cerrado, árido e inóspito. Realmente, é cerrado, árido e inóspito. Mas é também um dos maiores santuários ecológicos do mundo.
O parque, criado em 1984, fica na porção sul da Serra do Espinhaço (uma cadeia de montanhas que vai até a divisa entre os Estados da Bahia a do Piauí) e abrange os municípios de Itambé do Mato Dentro, Santana do Riacho, Santo Antônio do Rio Abaixo, São Sebastião do Rio Preto, Jaboticatubas e Morro do Pilar.
Seus quase 34 mil hectares surpreendem pela diversidade de fauna e flora e pelas belas paisagens, com cachoeiras (a mais famosa é a Véu da Noiva) e cânions, como o das Bandeirinhas, ideais para esportes de aventura e ecoturismo. Na região, já foram catalogadas mais de 130 espécies de aves, 60 de mamíferos e 35 de anfíbios, além de sítios arqueológicos que integram importantes capítulos da história do homem.
Enquanto águias chilenas, gaviões-pomba, jaguatiricas, lontras, tamanduás, onças-pardas, pererecas-de-pijama e rãs-da-careta representam um grande tesouro para os olhos, em termos de quantidade e variedade o maior tesouro do parque é a vegetação. A biodiversidade local supera a da Amazônia. Na área, já foram isoladas mais de 150 novas substâncias utilizadas em pesquisas do mundo todo e que podem ser úteis no combate a doenças como o câncer e a aids.
A característica mais marcante da flora da região é a capacidade de viver em ambientes hostis. As mudanças de temperatura são bruscas: de dia, o sol é tão forte que as pedras chegam a atingir a temperatura de 50 graus; à noite, chega a zero grau. A falta de água, que leva à escassez de nutrientes, por sua vez, foi contornada pela vegetação com a habilidade de captar a umidade do ar.
E quem imagina que, por causa da grande resistência, as plantas do parque não têm nada de belo, está enganado. Há beleza em todas as épocas do ano basta procurar. As variadas espécies florescem cada uma em sua estação, o que leva o cenário a estar sempre colorido – principalmente pelos milhões de sempre-vivas, mas também pelas bromélias, orquídeas, cactos, ipês e margaridas que crescem por ali e atraem uma infinidade de beija-flores.

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