Beleza em qualquer estação
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de julho de 2000
Célia Baroni Do Pantanal 
Uma vez no Pantanal é preciso se adaptar ao ritmo do local. O que parece lento é na verdade o ritmo da natureza, em seu ciclo interminável. Os boiadeiros chegam a trabalhar direto (dia e noite), de oito a 12 dias para conduzir a boiada de um pasto para o outro ou separar e selecionar a boiada.
Mas quando uma res se separa e foge para a mata, a velocidade do boiadeiro é impressionante. Em disparada, segue o animal e, antes que ele se embrenhe na mata arma o laço e segura o bicho. Em segundos, tudo volta ao normal. É o tempo de uma batida assustada do coração.
O Pantanal é mesmo tudo o que mostram e escrevem? É e não é. A abundância de animais é real, mas não é tão nítida como mostram os programas de televisão. O Pantanal que ocupa todo o Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, é formado uma série de pantanais menores, cada um com suas características.
Os animais seguem a força das águas, motor da vida em toda região, dividindo as estações em cheia, vazante e seca. Cada uma com seus encantamentos. Quem quer ver pássaros em abundância, por exemplo, deve escolher a época de cheia.
Os pássaros começam a construir seus ninhos e acasalar no final da vazante quando são vistos aos pares. Quando chega a cheia, os filhotes ficam prontos para voar e então é possível assistir a revoadas de pássaros da mesma espécie. A visão de tirar o fôlego.
Ao contrário, na cheia, a maioria dos animais está ilhada nas partes altas tentando sobreviver. Os animais voltam a aparecer na fase da vazante, quando as águas começam a voltar para o leito do rio e as pastagens e mata começam a emergir, abundantes em alimento.
Para eles, esta é a melhor época para o acasalamento porque os filhotes têm de estar crescidos e fortes o suficiente para enfrentar a seca.
A seca no Pantanal Sul Mato-Grossense é considerada alta estação. O cenário é exuberante. É nesta época de poucas chuvas que várias espécies de mamíferos, como quatis, veados, lobinhos, capivaras, macacos e tamanduás, podem ser facilmente observados nos campos. É também neste período que aves, como cegonhas, tuiuiús, curicacas, patos e marrecos, se concentram nas escassas áreas alagadas, atraídos por milhares de peixes.
Há porém o lado triste da seca. Quando a água acaba, a desolação predomina. Animais e gado morrem de sede em grande número. O vazio das planícies e o solo gretado é constante.


