Beleza e imponência em Tuni Condoriri
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de agosto de 1998
Agência Estado 
A duas horas de carro de La Paz encontra-se o Parque Nacional Tuni Condoriri, uma área de conservação que abriga um trecho da Cordilheira Real de extremas beleza e imponência. Com rochas de 200 milhões de anos, o parque abriga a porção mais antiga dos Andes bolivianos.
Frequentado por montanhistas do mundo inteiro, o Tuni Condoriri é considerado pelos especialistas, um lugar naturalmente perfeito para o ensino e a prática do andinismo, como os bolivianos gostam de denominar as atividades de escalada nos Andes.
De maio a setembro, o conjunto de picos nevados do Tuni Condoriri fica cheio de andinistas e turistas. Nessa época, as montanhas servem de escolinha e campo de treino para escaladores e aventureiros aprendizes.
As montanhas do Tuni Condoriri estão situadas ao redor de um belo lago de degelo, onde há um pequeno abrigo e uma extensa área plana onde se pode acampar. Os cursos de escalada no gelo para principiantes acontecem todo ano, de junho a setembro. As aulas, teóricas e práticas, são ministradas por experientes escaladores bolivianos. Os cursos dão noções básicas de procedimentos de escalada no gelo e uso de equipamentos. Qualquer turista com boa saúde e espírito aventureiro pode tirar bom proveito das aulas, independentemente da idade, diz o andinista e guia de montanha Juan Villarroel, um boliviano que há três anos recebe turistas e escaladores brasileiros.
Os picos do Tuni são cobertos de neve e também de lendas misteriosas. Por ter forma semelhante à de um condor de asas abertas, a montanha exerce um fascínio místico no povo local e é cultuada pelos kallahuayas, curandeiros dos Andes que, segundo a tradição, descendem diretamente dos incas.
Uma das histórias mais famosas é a do Cerro Negro, pico de 5.400 metros de altura conhecido como o lar de um lendário condor gigante. O povo da redondeza tem medo de chegar perto da montanha porque, acredita, o condor captura a alma dos humanos de espírito fraco. Também não se deve andar sozinho à noite nas proximidades do Cerro Negro. Os kallahuayas são os únicos que sobem a montanha e o fazem somente quando precisam levar oferendas ao grande condor. Os curandeiros se comunicam com a entidade durante o Yatiri, uma cerimônia ritualística em que sacrificam filhotes de lhamas e pedem a libertação de almas capturadas.
Além de lendas e rotas de escalada, há inúmeras trilhas ao redor da Cordilheira Real. Uma das mais cênicas é o Sendero Takesi, uma caminhada de três dias por uma antiga rota inca. O trajeto passa por vales nevados e pelas montanhas das Yungas. Grande parte do roteiro, de 40 quilômetros, é calçado com pedras colocadas pelos incas. A trilha começa no simpático vilarejo de Ventilla, cruza uma passagem de 4.670 metros de altitude e, finalmente, percorre, em descida, os vales das Yungas.


