Beleza de tirar o fôlego
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de julho de 1997
Cleide Cavalcante Agência Estado 
Bem na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, está o Parque Nacional dos Aparados da Serra. Sua beleza singular e rústica atrai turistas de todo o mundo. É uma aventura incrível, numa das regiões mais suntuosas do Sul do País. A fauna e a flora reúnem exemplares raros, entretanto, a maior atração é o Itaimbezinho, (em Tupi-Guarani significa ita: pedra e aimbé: afiado, penhasco) indevidamente chamado de canyon. Seu acesso não é nada fácil, mas o espetáculo vale o esforço. São 5.800 metros de extensão, com largura que varia de 600 a 2.000 metros e profundidade de 720 metros.
O parque ocupa uma área de 102 quilômetros quadrados, tem a maior parte de seu terreno localizada no município de Cambará do Sul, a 183 quilômetros de Porto Alegre, numa altitude de 980 metros acima do nível do mar. Atualmente o lugar abriga uma das últimas reservas de floresta nativa do Rio Grande do Sul.
A infra-estrutura turística é praticamente inexistente. Os visitantes que mesmo assim decidem enfrentar a viagem, têm como opção hospedar-se nas cidades de Canela, Gramado e São Francisco de Paula, a aproximadamente 80 quilômetros do parque.
Fio de faca O Parque Nacional dos Aparados da Serra foi criado em 1959, pelo governo federal. O termo Aparados originou-se pela configuração geográfica da região, já que em alguns trechos os campos são, na verdade, aparados. Ou seja, parecem mesmo que foram cortados como a fio de faca, terminando sem a transição na aba de precipícios verticalmente dispostos, localizados nos limites entre o planalto e o litoral.
Itaimbezinho não é, de fato, um canyon, pois formou-se a partir da erosão do terreno. Ele surgiu de uma fratura nas camadas superficiais da serra gaúcha durante períodos de acomodação geológica do continente sul-americano, há milhares de anos. Uma vez perto das paredes do gigantesco abismo, experimenta-se as mais diversas emoções, liberdade, medo, alegria, contentamento... Mas é o imenso silêncio que nos remete a reflexão, possibilitando uma indescritível sensação de paz profunda.
A voz do vento parece escorregar suavemente pelas paredes escarpadas, e, no fundo do abismo, encontra novo tom, serpenteando pelas águas cristalinas do rio Perdizes. O turista também pode fazer este percurso até o rio, não sem um pouco de esforço. Em um local, por exemplo, é necessário amarrar-se à cordas para vencer uma queda livre de cerca de dois metros. Existe certo perigo, pois as pedras são escorregadias e há cobras por ali. É preciso levar roupas adequadas para este trecho do passeio.
Grandiosidade E, uma vez lá embaixo, o visitante surpreende-se pela grandiosidade do Itaimbezinho. São muitas as quedas dágua, que completam o encanto do parque. Sua vegetação é composta, inclusive, por exemplares raros, como a mata de araucária e outras milhares de árvores características do Rio Grande do Sul - cedros, camboins, coronilhas, canelas, cambarás e ipês. Também há xaxins e orquídeas em grande número.
Entre os animais que encontraram refúgio em Aparados estão o veado branco, o veado bororó, puma, o jaguatirica, o gato-do-mato (ou maracajá), o lobo guará, o tatu, a cotia, a paca, o ouriço-cacheiro e as lebres. Muitos destes animais estavam ameaçados de extinção em outros locais e acabaram migrando para lá. Além disso, uma infinidade de aves já foram catalogadas na região. No parque, é proibido qualquer tipo de caça.
Para os que preferem o clima aconchegante das montanhas, o ideal é viajar para o Aparados durante o inverno, quando a temperatura pode atingir os três graus negativos.


