ReproduçãoTeatro da Paz: herança neoclássica do ciclo da borrachaNa capital do Pará dois museus não podem ficar de fora do roteiro de visitas. Um é o Palácio Antonio Lemos, sede da prefeitura e Museu de Artes de Belém, o Mabe. Bem ao lado, o Palácio Lauro Sodré, antiga sede do governo, e o Museu do Estado do Pará, o MEP. Ambos instalados em antigos prédios neoclássicos, tombados, com pé-direito alto, escadarias de mármore e teto trabalhado.
Para entrar nos salões do Mabe é preciso calçar pantufas, para então deslizar pelo chão de acapu que conduz às imagens de um Brasil de fausto, época do ciclo da borracha. Quadros de Oswaldo Teixeira do Amaral, cadeiras de palhinhas da década de 40, canapés de jacarandá estilo D. José, relógio art déco, cabide de pé art nouveau para luvas e chapéus, porcelanas de Sevres, esculturas de mármore e mesas de macaúba são heranças de um tempo áureo que podem ser apreciados no museu.
O maior ícone da belle époque paraense, leia-se ciclo da borracha, é o Salão Rosa do Mabe. Luminárias art nouveau, móveis de estilo austríaco, conversadeiras barrocas e mais mesas, cadeiras e canapés de madeiras de lei. A opulência continua no Salão Dourado, com móveis Luís XV cobertos com seda e passamanarias, mobiliário renascentistas com molduras de ouro e jardineiras.
Já o MEP, projeto do arquiteto Antonio Landi, foi construído no século 18 para abrigar os governadores da época do império. Nos dias de República, o palácio perdeu a ala residencial, mas era de lá que o governador continuava despachando. Em 1906, o então governador Augusto Montenegro chamou artistas franceses para embelezar o prédio e várias paredes ganharam cores novas. Desde 1994 o palácio é só um museu.
Objetos de prata, cadeiras com madeira pintada, quadros do princípio do século, vitrais franceses, lustres de cristal e móveis de madeiras nobres são algumas das relíquias do acervo do Museu do Estado do Pará. Vale conferir.
Além dos museus, também merece uma visita o Teatro da Paz, construção neoclássica, no Largo da Pólvora. Erguido há 101 anos pelo arquiteto Grandjean de Montigny, o teatro recebeu numerosas companhias líricas italianas e personalidades como Carlos Gomes, Bidu Sayão, Ana Pavlova, Os Meninos Cantores de Viena e Magdalena Tagliaferro.

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