Belchior viaja no tempo
O lançamento do álbum duplo Auto-Retrato do cantor e compositor Belchior é a atração de hoje do Jockey Lounge & Bar, em Curitiba. Belchior apresenta as músicas do seu mais recente trabalho, com 25 canções com arranjos de André Abujamra, Rogério Duprat, Sérgio Zurawski, Ruriá Duprat, entre outros.
Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes promete fazer, em Curitiba, uma viagem ao tempo. Na década de 70 ficou conhecido como combatente de idéias e de sons, tornando sucesso suas canções que falavam de paz, ao mesmo tempo em que conclamavam para lutas sociais. Dedilhava de maneira original e intimista, a sensualidade dos amores vividos.
O uso da música como instrumento de transformação foi um fato inconteste na década de 70, quando o cantor se revelou. Belchior, como um combatente sartreano, atentava os jovens para a análise dos problemas de sua geração.
Nascido em 1946 em Sobral, no Ceará, Belchior sofreu influências diretas da rádio, época em que Ângela Maria, Cauby Peixoto e Nora Ney inspiravam o jovem que já tinha em casa uma vivência musical: o pai, Otávio Belchior tocava flauta e saxofone, a mãe Dolores Gomes Fontelle cantava no coro da igreja. Aos 16 anos foi para Fortaleza estudar e completou o curso de Filosofia e Humanidades, enquanto preparava-se para o vestibular de Medicina.
Já no quarto ano de Medicina, Belchior viaja para o Rio e toma a grande decisão de sua vida: abandona a faculdade e decide viver apenas de música. É o ano de 1971, da ditadura militar, do embate ideológico e do milagre econômico, no País. No Rio de Janeiro aproxima-se de Sérgio Ricardo que escolhe a sua composição Mucuripe, de parceria com Fagner, para fazer parte do disco Bolso do Pasquim.
Show de Belchior, no Jockey Lounge & Bar, Avenida Victor Ferreira do Amaral, 2.291, hoje, às 23 horas. Ingressos a R$ 12,00, nas bilheterias do Jockey. Informações: 365-5050.





