Curitiba – As músicas que ficaram no coração e na cabeça das pessoas ao longo de 25 anos de carreira de Belchior são relembradas hoje em única apresentação do cantor e compositor no Sesc da Esquina, em Curitiba. Ele traz o repertório do disco ‘‘Auto-Retrato’’, lançado em 1999 pela BMG do Brasil. O álbum duplo com 25 canções é uma releitura das músicas que consagraram Belchior como um dos grandes nomes da música popular brasileira. No palco, ele mostra esses sucessos sozinho, com banquinho e violão, diferente das últimas turnês que realizou pelo País, onde era acompanhado pela banda.
Na opinião de Belchior o repertório do show tem o sabor do nome do disco. ‘‘É uma tentativa de auto-retrato, como artista e cidadão’’, disse à Folha2, por telefone. O artista de 56 anos foi lançado como uma das grandes apostas da música nos anos 70, quando Elis Regina gravou ‘‘Como Nossos Pais’’ e ‘‘Velha Roupa Colorida’’. Nessa época o cearense, natural de Sobral, era visto participando dos festivais de música do Nordeste.
A mudança para o Rio de Janeiro aconteceu em 1971, quando gravou a primeira música em parceria com Fagner, ‘‘Mucuripe’’, também gravada por Elis. O seu primeiro álbum, no entanto, só veio a ser lançado em 1974, levando o seu nome. A partir do lançamento do disco ‘‘Belchior a palo seco’, pela gravadora Chantecler, as suas composições passaram a ser gravadas por outros intérpretes. Mas a consagração nacional, só chega mesmo com o sucesso de ‘‘Apenas Um Rapaz Latino Americano’’, ‘‘Como Nossos Pais’’ e ‘‘Velha Roupa Colorida’’.
Essas músicas, que se tornaram verdadeiros hits para rapazes latinos- americanos sem dinheiro no bolso e sem parentes importantes, são relembradas hoje. Parece aliás, que relembrar velhos sucessos se tornou a grande vedete (ou saída) da geração de Belchior. Seu último disco com músicas inéditas foi lançado há quatro anos, mas ele continua com a turnê de ‘‘Auto-retrato’’.
‘‘São músicas que as pessoas pedem, que se tornaram quase obrigatórias em meus shows’’, disse. Para ele, além das pessoas que acompanharam a sua carreira desde os anos 70, uma nova geração de fãs está surgindo. ‘‘É um público novo, que está se aproximando da minha música agora’’.
Para esse novo público, talvez, seja novidade que a arte de Belchior vá além da música. Desde quando começou a compôr, ele também ingressa no árido terreno das artes plásticas e já fez inúmeras exposições pelo Brasil. A próxima está agendada para Curitiba, em setembro, ainda em trâmites com a Caixa Econômica Federal.
Mas Belchior prefere manter sigilo sobre o conteúdo das obras e resume as novidades a apresentação de ‘‘Auto-retrato’’, em Curitiba. ‘‘Vou mostrar um show acústico de quase duas horas, que pode ter de duas a 25 músicas’’, brinca.
Serviço:
Show ‘‘Auto-Retrato’’, com Belchior. Hoje, às 21 horas, no Sesc da Esquina (Rua Visconde do Rio Branco, 969), em Curitiba. Ingressos a R$ 15 e R$ 12 (comerciários).

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