Belchior entre os pincéis
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quinta-feira, 14 de novembro de 2002
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Além de uma sólida carreira como compositor, o músico Belchior também acumula uma longa trajetória como artista plástico. Seus desenhos e pinturas, antes vistos apenas nos encartes dos seus discos, agora ganham as galerias. São trabalhos realizados desde a década de 70, a princípio, sem nenhuma intenção profissional, mas que começam a tomar uma proporção bem maior do que um simples hobby. Parte desses quadros podem ser vistos em Curitiba a partir de hoje, na Galeria da Caixa, em Curitiba.
A mostra ''Retratos'' traz 60 trabalhos. Doze deles são auto-retratos feitos por Belchior nos últimos 30 anos, mas a maioria são retratos feitos por amigos do músico e que ele foi colecionando nesse período. Simultamente à mostra em Curitiba, uma série de pinturas que ilustram poemas de Carlos Drummond de Andrade também está sendo mostrada no museu que leva o nome do poeta, em Itabira, Minas Gerais.
As duas exposições são as primeiras desde que o músico decidiu mostrar seu trabalho como artista plástico. ''Estava esperando convite dos amigos'', brinca Belchior. Ele diz que demorou para admitir o valor estético dos trabalhos, mas com a insistência dos colegas resolveu assumir também o lado pintor. Belchior se considera autodidata nas técnicas que utiliza. ''Uso o material que tenho à mão, desde canetas, tintas, lápis'', revela.
Para mostrar parte dessas obras, Belchior escolheu Curitiba por um motivo especial. ''Tenho uma ligação amorosa com a cidade, mas mais do que isso, queria que a cidade retomasse a função de relançar as coisas para o cenário nacional'', diz. Depois de Curitiba, a mostra ''Retratos'' segue para Brasília, sempre com o aval da Caixa. A exposição acompanha um show para convidados e um CD retrospectivo dos 25 anos de carreira do cantor. Em Curitiba, o show acontece no sábado, na Reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
''Como é um show para convidados e com uma característica de retrospectiva vou cantar as músicas mais conhecidas do público, é o que eles querem ouvir'', diz o compositor. ''Em um aniversário ninguém estranha que se cante o parabéns'', compara. A mostra e o show não são os únicos eventos que marcam os 25 anos de carreira de Belchior. Ele acaba de lançar o disco ''Auto Retrato'' e o CD ''Cancioneiro Latino Americano'', com letras de sua autoria cantadas em espanhol. Trata-se de um disco autoral, onde Belchior atua também como co-tradutor mas deixa a interpretação a cargo de outros cantores.
Para o próximo ano, o compositor e pintor prepara um disco com músicas inéditas. O álbum duplo vai trazer 25 músicas feitas a partir de poemas de Drummon. ''É uma forma de comemorar o centenário do poeta'', explica Belchior. A previsão de lançamento é para março, com o selo da gravadora do músico.
Serviço: Exposição ''Retratos'', de Belchior e outros pintores. Até 29 de novembro. Aberta de segunda a sexta-feira, das 9 às 17 horas, na Galeria da Caixa (Rua Conselheiro Laurindo, 280).


