A idéia de registrar suas memórias em um livro surgiu durante entrevista dada ao Museu da Imagem e do Som, da Secretaria de Educação de Maringá. Foram duas horas de fita gravada, parte de um projeto com o objetivo de registrar a história de pioneiros. Francisco Gonçalves, 78 anos, aproveitou para, a partir das fitas, concretizar aquilo que durante anos foi apenas uma idéia.
Um ano e meio de trabalho e nasceu ‘‘Paixão Pela Vida - Autobiografia de Francisco Gonçalves, um pioneiro’’. A obra foi realizada em regime doméstico, editada pelo filho Luiz Carlos Gonçalves, e escrita com o apoio das filhas. A tiragem de 500 exemplares tem destino certo, escolas, bibliotecas, prefeitura.
O objetivo, segundo Francisco Gonçalves, nunca foi comercializar os livros, mas sim fazer um registro da história e deixá-la documentada para que as futuras gerações possam ter um material de pesquisa. ‘‘Ainda temos algumas pessoas que ajudaram a fundar Maringá, vivas. Temos condições de contar a história desta cidade a partir das próprias pessoas que ajudaram a construí-la’’, afirma. ‘‘Só que é preciso fazer isto logo, porque estas pessoas estão partindo’’, alerta.
Francisco Gonçalves decidiu dar sua contribuição escrevendo suas memórias. ‘‘Paixão Pela Vida...’ conta, em linguagem fácil e prazerosa, todo o percurso de Francisco e sua família, desde a saída de Portugal, onde nasceu, aos dois anos.
Milton DóriaFrancisco Gonçalves:‘‘Temos condições de contar a história de Maringá a partir das próprias pessoas que ajudaram a construí-la’’O pioneiro não tem a pretensão de fazer um relato oficial do surgimento de Maringá. A sua experiência na fundação desta cidade é contada em meio às muitas lembranças de sua própria história. Ao contar a sua aventura saindo de Ubirajara (SP) com a esposa Ida e sua primeira filha, Maria Marlene de apenas 54 dias, rumo à região de Maringá, ele mostra um pouco da saga de muitos pioneiros.
A dificuldade de se chegar em uma região que se resumia à mata virgem e desbravá-la, as incertezas da época, a primeira colheita de café, a crise de 1929; tudo está nas memórias de Francisco Gonçalves, mesclando-se com a história de sua própria família.
Foram pouco mais de 20 anos em Maringá. Depois disto, o pioneiro resolveu pegar a família e partir para Curitiba. Ele precisava estudar os filhos, oito ao todo. ‘‘Por isso tive que ir embora’’, lembra. ‘‘Mas o laço afetivo com Maringá é muito forte, afinal ajudei esta cidade a nascer’’.
‘‘Paixão Pela Vida..’ é uma edição sofisticada que traz inúmeras fotos de várias gerações da família Gonçalves, que ilustram em 115 páginas a história do pioneiro.
• O livro ‘‘Paixão Pela Vida - Autobiografia de Francisco Gonçalves, um pioneiro’’ será lançado no dia 5 de maio, em Maringá.

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