ECOTURISMO BELA ILHA DO CARDOSO Mauro Frasson/Arquivo FolhaPARAÍSO Andar pelas praias desertas é uma das opções de passeio na ilha, mas as trilhas na mata levam a outras belezas naturais Cleide Cavalcante Agência Estado Dunas, mangues, matas de restinga, trechos da floresta e afloramentos de pedra com vegetação típica de rocha fazem desse parque estadual um dos mais elogiados cartões-postais brasileiros Com 22.500 hectares, a Ilha do Cardoso, em Cananéia, litoral sul paulista, é um dos poucos recantos naturais livres da poluição. Na divisa com o Paraná, a ilha faz parte do Complexo Lagunar Estuarino de Iguape–Cananéia–Paranaguá, também conhecido como região do Lagamar, com 200 quilômetros de costa, desde a Estação Ecológica da Juréia, em Peruíbe, até a cidade de Paranaguá, no litoral paranaense. Dunas, mangues, matas de restinga, trechos de floresta e afloramentos de pedra com vegetação típica de rocha fazem deste mais um dos elogiados cartões-postais do País. O complexo fica numa área que marca o encontro de vários rios com o oceano, e inclui também as ilhas de Cananéia, Comprida, Superagui e do Mel. O Parque Estadual da Ilha do Cardoso foi criado em 1962, 90% de sua área é coberta pela vegetação da Mata Atlântica. Todo esse patrimônio natural foi declarado pela Unesco Reserva Mundial da Biosfera. A região central da ilha apresenta conjuntos de picos com até 800 metros de altitude. A rica biodiversidade abriga quase mil tipos de vegetais, mais de 100 espécies de mamíferos, muitos correm risco de extinção, e 365 de aves, algumas raras ou também ameaçadas de extinção, como o papagaio chauá. A Ilha do Cardoso é uma das poucas do litoral paulista onde se verifica colônias de reprodução de algumas aves marinhas provenientes do Hemisfério Norte. Ainda vale salientar a preciosa fauna marinha, com jacarés, botos e tartarugas. Outra curiosidade da ilha é um sítio arqueológico com sambaquis – lugares com grande concentração de vestígios que indicam a presença de povos pré-históricos. Entretanto, os historiadores afirmam que a ocupação humana no passado não foi tão intensa. O mesmo ocorre agora. Os poucos moradores da região, a maioria pescadores, têm a posse de suas terras, mas não podem vendê-las. Continua na página 2