Uma história de amor entre um pescador e uma inglesa rica e um cenário que mostra uma natureza exuberante estão presentes em ‘‘Bela Donna’’, novo filme de Fábio Barreto que estréia hoje em circuito nacional. O filme é o quinto longa-metragem da carreira do cineasta e traz os elementos sempre presentes em suas produções: adaptação de obras literárias, presenças femininas marcantes e uma íntima relação com o ambiente.
‘‘Bela Donna’’ é uma adaptação do romance de José Lins do Rego, ‘‘Riacho Doce’’. O filme é a terceira produção de Lucy e Luiz Carlos Barreto/Filmes Equador na fase de retomada do cinema nacional. Com um orçamento de US$ 4,5 milhões, foi produzido através de três leis de incentivo - Lei do Audiovisual 8685/93, Lei Rouanet 8313/91 e Lei de Incentivo Fiscal à Cultura e ao Fundo Estadual de Cultura 12.464/95 - em associação com a distribuidora internacional Pandora Cinema.
O romance ‘‘Riacho Doce’’ já foi adaptado para a televisão na minissérie exibida pela Rede Globo, que teve como protagonistas os atores Vera Fisher e Carlos Alberto Ricelli. No cinema, Eduardo Moscóvis e a canadense Natasha Henstridge viverão nas dunas da Praia de Canoa Quebrada, no Ceará, a história de amor entre um pescador e uma rica estrangeira casada.
A história se passa no final da década de 30, quando um jovem casal de estrangeiros, Donna (Natasha Henstridge) e Frank (Andrew McCarthy), chega ao vilarejo de Morro Branco, no exuberante litoral cearense. Enquanto Donna adapta-se rapidamente à paisagem e aos hábitos da região, Frank, um engenheiro que trabalha em um empreendimento petrolífero, se sente frustrado.
Em seus passeios pela praia, Donna se vê atraída por um pescador diferente, Nô (Eduardo Moscóvis). Atraente e sorridente, o pescador favorito das mulheres e com um passado aventureiro, está em Morro Branco apenas de férias para rever a família e os amigos. Nô é filho de Mãe Ana (Florinda Bolkan), espécie de líder religiosa da comunidade, uma ‘‘força da terra’’, tão temida quanto respeitada.
O inevitável acontece: Donna e Nô se apaixonam e iniciam um romance desafiando Mãe Ana que não aprova o romance, e o marido da moça. Em uma comunidade tão pequena, em pouco tempo o envolvimento dos dois logo é descoberto por todos. A paixão entre a estrangeira e o pescador está fadada a uma ruptura violenta. Donna deixa o Brasil a bordo de um navio, seguida de perto por Nô, na mesma jangada que marcou o início do romance.
Co-escrito por Fábio Barreto, José Almino e pela americana Amy Ephron traz, em segundo plano, temas com implicações políticas e sociais, como a fuga de judeus da Europa e o choque cultural entre selvagens e civilizados.

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