Láis tem 21 anos, nunca teve uma relação estável que durasse muito tempo e, atualmente, não está namorando. Aos 18 anos sua mãe descobriu, enquanto lia alguns escritos seus, que ela tinha beijado outra garota. ''Ela me disse que esse negócio de ser 'sapatão' não dava certo. Mas depois a poeira baixou e até meu pai acabou aceitando. Agora está tudo mais tranquilo'', refletiu a estudante.
Cenas de novela: o casal de lésbicas interpretados por Christiane Torloni e Silvia Pfeifer, em Torre de Babel (1998) morre na explosão de um shopping para não chocar as pessoas mantendo a situação de mulheres apaixonadas. ''Eu acho que muita gente se ofende com esse tipo de casal, mas por que elas se ofendem? Porque é um preconceito, já que elas não se incomodam com um casal heterossexual que se beija'', disse Láis.
Para a jovem, antes de prejudicar ou conscientizar as pessoas, as novelas acabam informando. ''Gente que nunca tinha ouvido falar no assunto ou nunca tinha visto, passa a conhecer. Em relação ao preconceito, as pessoas podem dizer que não o tem, mas quando acontece com alguém próximo a elas, rola. Eu, particularmente, nunca sofri nenhum preconceito'', acrescentou.
Sua amiga Joana, de 22 anos, levanta uma outra questão: Ser gay masculino chega a ser um pouco mais fácil do que ser uma lésbica. ''Tanto é que mataram as lésbicas naquela novela (Torre de Babel), mas o filme 'O Segredo de Brokeback Montain' fez o maior sucesso. Até tinha os cowboys gays na novela 'América' que terminaram juntos, apesar de terem velado o beijo'', lembrou. Em ''Mulheres Apaixonadas'', a parceria amorosa entre Clara (Aline Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) não foi bem explorada, segundo Joana. ''O Manoel Carlos não escancarou, até porque ele precisa vender o peixe dele. Com a novela, possibilitou uma liberdade maior, porque as mães e donas de casa assistem TV. Isso abre uma porta para você chegar e conversar com sua mãe espelhando na novela. Por outro lado, isso pode gerar uma absurdo, pois hoje tem um monte de menina que nem é gay, mas começa a beijar outras meninas. Eu acho que o lesbianismo hoje está muito em moda por influência da mídia, é ridículo isso'', enfatizou.

mockup