Bebendo na fonte da literatura
Bebendo na fonte da literatura
O caminho dos sonhos do cineasta Lucas Amberg está sendo trilhado durante o lançamento deste seu primeiro longa, no corpo a corpo para a conquista do público. Em sua rota pelo Sul do Brasil estão Porto Alegre, Florianópolis, Lages, Curitiba e Londrina. Por telefone, ele conversou com a Folha2, e está com a expectativa de que a história aqueça os corações dos paranaenses, nesses dias de temperaturas polares.
A história me bateu forte. Eu me identifiquei com o personagem, com o tema e com as situações, diz o cineasta e roteirista. O romance infanto-juvenil Um Sonho no Caroço do Abacate, de Moacyr Scliar, caiu nas mãos de Lucas Amberg em 1996. Depois de ser exibido em Gramado no ano passado, o filme está sendo distribuído pela UPI United International Pictures sendo o primeiro filme brasileiro a ser trabalhado nessa nova fase da mega distribuidora.
Apesar de ter realizado 22 curtas-metragens nos Estados Unidos, sendo dois premiados, Amberg batalhou mais de um ano e meio em busca de verbas. O sinal verde veio do Banespa, investindo 1 milhão e 350 mil reais. Fiz o filme mais rápido do que a captação de recursos, sintetiza.
Exultante, Lucas Amberg comemora o bom público durante as sessões que realizou. A crítica se divide em relação ao resultado final. O diretor está ressentido com a imprensa paulistana e carioca que não abriram espaço para o filme.
Lucas Amberg teve sua formação cinematográfica na Universidade do Sul da Califórnia, Estados Unidos, onde morou durante 10 anos. Por essa universidade passaram George Lucas, Robert Zemeckis e Ron Howard. Amberg diz ter absorvido a estrutura da narrativa hollywoodiana. Isso se reflete em cada cena de O Caminho dos Sonhos, um romance que instiga o público a pensar, na concepção do diretor.
Segundo Lucas Amberg, o cinema nacional continua bebendo na fonte da literatura porque ainda temos poucos roteiristas capazes de criar histórias originais e a literatura brasileira é rica e inspiradora. Temos histórias bonitas de sobra. Algo que está em extinção nos Estados Unidos, constata.
Pela efervescência política e social dos anos 60 e 70, esse período continua a render bons argumentos para filmes. O painel político dos anos 60 foi o mais influente deste século. Os estudantes da UNE (União Nacional dos Estudantes) eram muito ativistas, lutavam por reformas sociais. Como batalhei muito como estudante, quis homenagea-los, afirma. Para enfatizar o panorama político, Amberg inseriu a personagem Ana em movimentos estudantis.
Dentre os novos projetos do diretor, consta a adaptação de mais um livro de Moacyr Scliar A Colina dos Suspiros, literatura infanto-juvenil flertando com o futebol.(F.F.)





