Beatriz Segall espera que reprise atraia o público ao teatro
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Roberta Pennafort<BR>Agência Estado 
Beatriz Segall, aos 84 anos, não tem disposição para ficar acordada até as 2 da manhã para assistir a Vale Tudo. Prefere esperar os amigos que estão gravando a novela para ela. Costuma dizer que Odete Roitman a persegue. Mas agora que a reprise, um fenômeno das madrugadas do Canal Viva, coincide com a estreia de sua peça, Conversando com Mamãe, no Rio, espera que ela traga o público para vê-la também no teatro.
Não é incrível um personagem que ainda tenha essa força, passados 20 anos?
Foi uma novela muito especial. A Heleninha também foi um personagem interessante. Todo mundo estava muito bem: a Renata (Sorrah), Nathalia (Timberg), Glória Pires... O Riccelli fez ali o melhor trabalho dele.
Na época, a repercussão da Odete foi imediata?
Eu fiquei reclusa durante a novela, porque tinha texto demais pra decorar. Só fui ter noção quando acabaram as gravações... Até hoje, é muito chato as pessoas chegarem para mim falando Quem matou Odete Roitman?, isso com uma cara de quem está atingindo um objetivo importante na vida...
Odete foi boa de fazer?
Ficou muito marcada. Até então, os atores não gostavam de fazer o vilão, porque não conseguiam fazer comerciais. Depois se viu que o vilão é quem dá movimento à novela.
Alcoolismo, homossexualismo, corrupção e outros temas pouco frequentes na TV da época foram usados com a polêmica no volume máximo para compor os personagens da novela. Talvez por isso que a trama pareça tão atual, apesar do salto de qualidade de imagens que a TV teve nestes 20 anos e das mudanças na moda e de costumes é até engraçado e estranho, por exemplo, ver os personagens fumando em cena, sem culpa. Certas coisas soam estranhas, por exemplo, as roupas femininas, era a moda oversize, diz Braga. Também estou achando que o texto sobrevive. Às vezes acho didático demais, mas nada é perfeito.
Prestes a estrear Insensato Coração, que substituirá Passione de Silvio de Abreu na metade de janeiro, Gilberto sabe que Vale Tudo é referência carregada de responsabilidade, mas nunca se preocupou com a possibilidade de a novela se tornar um fantasma na sua carreira, a persegui-lo e gerar comparações com o que ele escreve hoje. Nunca senti que isso tenha acontecido comigo. E adoro quando a novela provoca discussão, garante ele que, no entanto, não se anima a lançar uma nova versão para a história de Raquel. Prefiro que não tenha remake, porque seria difícil reunir um elenco como aquele.


