Beatles para sempre
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Quarentão, o álbum ''Abbey Road'', é Beatles como nos velhos tempos, cumprindo a profecia de Paul McCartney ao produtor George Martin. Todo o rock pós-quarteto de Liverpool - por influência direta ou indireta - segue as mesmas passadas dos quatro, imortalizadas na capa do disco.
Para os fãs de McCartney, John Lennon, Ringo Starr e George Harrison, a comemoração é dupla. Além dos 40 anos do álbum, lançado em 29 de setembro de 1969, beatlemaníacos no mundo inteiro lembram as quatro décadas de uma das fotografias mais famosas do rock'n'roll.
Quase uma representação cabalística para os caçadores de mitos e curiosidades sobre o álbum, pontualmente, às 10h35, do dia 8 de agosto de 1969, o fotógrafo Iain Macmillan registrou a famosa pose dos Beatles cruzando a faixa de pedestres da Abbey Road.
''Tudo o que se faz hoje dentro de um estúdio de uma maneira ou de outra os Beatles já fizeram. Você acaba esbarrando. Para se ter uma ideia, as minhas produções não saem com menos de 100 canais e, a banda, conseguiu qualidade em apenas quatro canais'', compara o músico e produtor musical Júlio Anizelli.
Graças aos deuses do rock, George Martin ouviu o pedido de McCartney, que queria um disco como ''a gente fazia antes''. Depois de ''Abbey'', dificilmente alguém passará pela vida sem cantarolar ''Here Comes the Sun'', ''Come Together'' ou ''Something''.
''Em 'Abbey', os Beatles estão em toda a sua maturidade. Tanto de gravação quanto em poesia'', comenta Anizelli, que tem uma das interpretações londrinenses mais primorosas de ''Oh! Darling''.
A misteriosa capa do álbum, que despertou rumores sobre a morte de McCartney, que aparece descalço, fora de passo com os outros, olhos fechados e cigarro na mão direita, apesar de ser canhoto, ainda alimenta a curiosidade dos fãs.
Mesmo depois dele ter afirmado que no dia da foto fazia muito calor e que não aguentava calçar nada, a imagem de Lennon vestido de branco, supostamente representando o padre; Starr, de preto, como o responsável pelo funeral; e Harrison, o coveiro, de jeans, é um dos mitos sobre a banda.
''Toca de Betones''. O pedido musical a uma emissora de rádio num inglês ''embromation'' do então garoto Carlos Alberto Cavalli, que, como outros da geração dos anos 1960 amavam os Beatles e o rock'n'roll, foi o primeiro sinal de uma paixão que não acaba.
Aos 56 anos de idade, o jornalista e músico de Cambé, um dos organizadores do antológico Colher de Chá, uma versão do Woodstock, que trouxe ''Os Mutantes'' para se apresentar na região, afirma que ''Abbey Road'' é um álbum que gosta de ouvir do início ao fim.
''O disco é um dos melhores em que temos o casamento de John Lennon, diamante bruto, e McCartney, com o seu gosto musical mais apurado e sofisticado'', comenta Cavalli, que já teve uma coleção de 4 mil discos em vinil, mantendo atualmente todos os títulos dos Beatles em CD.
Beatlemaníaco é coisa que passa de pai para filhas na casa do jornalista. A bióloga Renata Remesik Cavalli, 23 anos, uma das três filhas do jornalista, diz que não tem jeito e que também segue o quarteto pelas faixas de ''Abbey Road''. ''A gente cresceu ouvindo os Beatles. Não tem uma música preferida. Gosto de todas'', comenta Renata sobre o epitáfio da história da banda representado por uma das músicas do álbum, ''The End'', canção que explica um pouco do amor da legião de fãs: ''And in the and/The love you take/Is equal to the love you make'' ou ''E no final/O amor que você recebe/É igual ao amor/Que você faz''.


