BÊ-Á-BÁ Pelo domínio da leitura e da escrita
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segunda-feira, 06 de abril de 2009
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Maria sabe escrever o seu nome e ler as placas com os nomes das ruas. Já João tem grande dificuldade ao interpretar os textos exigidos no vestibular. E o que eles têm em comum? Infelizmente, esses personagens fictícios fazem parte de milhares de brasileiros que não estão entre os 28% da população brasileira que são considerados alfabetizados plenos, isto é, que dominam a escrita e a leitura e também seus usos e funções. A estatística é do Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), de 2007.
Para evitar a propagação desse ''genocídio intelectual'', nas palavras da educadora Telma Weisz, da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo, é urgente que os professores invistam cada vez mais em metodologias que melhorem a sua capacidade de ensinar a ler e escrever.
Atualmente um instrumento de diagnóstico sobre a condição de alfabetização das crianças é a ''Provinha Brasil'', aplicada duas vezes ao ano em alunos do segundo ano do ensino fundamental. As questões de português abordam entre outros aspectos divisão silábica e interpretação de vários gêneros de texto.
Este é o segundo ano em que a prova é realizada em todo o território nacional e em Londrina a Secretaria Municipal de Educação a considera um bom instrumento de avaliação. Realizada no começo de março nas 80 escolas municipais, abordando um universo de mais de 6 mil alunos, o resultado ainda está sendo tabulado.
Mas, de forma preliminar, a assessora pedagógica de Língua Portuguesa da Secretaria Muncipal de Educação, Olinda Rosa Ribas, adiantou parte do desempenho dos alunos londrinenses. As questões que mais exigiram leitura foram as que tiveram o menor índice de acertos. ''Isso demonstra que ainda há uma grande dificuldade no processo do letramento, que significa ser capaz de absorver o sentido do texto e utilizá-lo socialmente'', destacou Olinda.
No final da avaliação, será feita uma reunião com todos os supervisores das escolas para a discussão dos métodos utilizados e o aprimoramento das práticas pedagógicas. ''Dificuldade em fazer a leitura silenciosa é normal nessa fase, mas não podemos nos acomodar. A princípio já podemos dizer que é necessário melhorar o planejamento do tempo destinado à leitura e sugiro que a cada dia seja trabalhado um gênero diferente de texto'', pontuou a assessora.
Umas das escolas municipais com melhor desempenho na ''Provinha Brasil'' é a Escola Municipal Bartolomeu de Gusmão (Região Leste). Com um planejamento que garante atividades diárias relacionadas à leitura, os grandes beneficiados são os próprios alunos. Sob a supervisão da professora Fabiane Silva Pereira Santos, é comum eles praticarem a leitura oral, a leitura silenciosa, a leitura em grupo, além de acompanhar a leitura feita pela própria professora.
''Acreditamos que quem lê, escreve melhor, e buscamos trabalhar gêneros diferentes de texto, além do narrativo. Poesia, poemas, histórias em quadrinhos, textos de jornal e revistas também fazem parte do nosso repertório'', comentou Fabiane.
Para transmitir a ideia de funcionalidade do texto, uma iniciativa simples e que tem dado bons resultados é a ''Roda da Amizade'', que acontece no final da aula de sexta-feira. Nesse dia, sentados em roda, os alunos acompanham a leitura feita pela professora dos bilhetes sobre amizade escritos por eles para os colegas. ''Eles adoram essa atividade e ficam estimulados a escrever um texto que tem uma função clara e que será lido em voz alta para toda a turma'', acrescentou.


