O que mais incomoda o curitibano, e que ele mesmo nem percebe? O que é mais ridículo? Quem são as personalidades em evidência, e o que estão fazendo? O show ‘‘FHC’’ (Fazendo Humor em Curitiba) promete relevar os detalhes mais cruéis e hilários. O espetáculo, da dupla Be & Thoven, acontece hoje e amanhã, às 21 horas e domingo às 19 horas, no Teatro Fernanda Montenegro.
Tecnologia, política, costumes e notícias são o cenário de farto material, para os humoristas paulistas Valério Wiz e Fernando Siqueira, e do músico Pablo Lapidusas, pela primeira vez em Curitiba num teatro. Eles já haviam estado por aqui no antigo Aeroanta e em apresentações para empresas.
O show é composto por cenas e músicas de criação próprias reunidas num espetáculo que retrata e ironiza o comportamento, a política, a tecnologia e a mídia sob a ótica do bom humor. ‘‘Na verdade, ainda não sabemos exatamente o que vamos mostrar em Curitiba. Primeiro temos de chegar e conversar com as pessoas para sentir o que anda irritando. Em geral nossos shows são definidos dez minutos antes de entrarmos no palco’’, cria suspense Valério.
Mas ele adianta que estão ensaiando para o ‘‘FHC’’, uma contra-resposta para a música ‘‘Meu Caro Amigo’’, de Chico Buarque. O repertório eclético dos humoristas percorre da bossa-nova ao canto gregoriano, intercalado por jazz, blues, reggae, ópera e samba.
Todos os ritmos são recheados com textos e letras de humor aguçado. Em cena, Be & Thoven tocam violão, gaita, teclado e instrumentos criados a partir de material descartável, como o ‘‘trumpet coke’’ e o ‘‘trumpet kult’’ (trompetes feitos com embalagens de Coca-Cola e de Yakult).
Entre os shows mais disputados pelo público, os humoristas citam alguns que só pelo título já provocam risos: ‘‘Pra Frente Brasil’’, ‘‘Estou c’a Grana e Andando’’, ‘‘Brasil Erótico’’, ‘‘Ninguém é Prefeito’’. Há ainda canções que tornaram-se ‘‘clássicas’’, como o ‘‘Samba da Encol‘‘, a ‘‘Cantata del Telefone Celulare’’, ou ainda ‘‘Eu Acredito em Duende’’, ‘‘O Estojinho de Primeiros Socorros’’ e ‘‘Blues do Pobre’’, onde os espectadores são convidados a calcular em que classe econômica pertencem depois da desvalorização do real.

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