Be & Thoven levam FHC ao Fernanda Montenegro
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de maio de 1999
Elisa Marilia Carneiro 
O que mais incomoda o curitibano, e que ele mesmo nem percebe? O que é mais ridículo? Quem são as personalidades em evidência, e o que estão fazendo? O show FHC (Fazendo Humor em Curitiba) promete relevar os detalhes mais cruéis e hilários. O espetáculo, da dupla Be & Thoven, acontece hoje e amanhã, às 21 horas e domingo às 19 horas, no Teatro Fernanda Montenegro.
Tecnologia, política, costumes e notícias são o cenário de farto material, para os humoristas paulistas Valério Wiz e Fernando Siqueira, e do músico Pablo Lapidusas, pela primeira vez em Curitiba num teatro. Eles já haviam estado por aqui no antigo Aeroanta e em apresentações para empresas.
O show é composto por cenas e músicas de criação próprias reunidas num espetáculo que retrata e ironiza o comportamento, a política, a tecnologia e a mídia sob a ótica do bom humor. Na verdade, ainda não sabemos exatamente o que vamos mostrar em Curitiba. Primeiro temos de chegar e conversar com as pessoas para sentir o que anda irritando. Em geral nossos shows são definidos dez minutos antes de entrarmos no palco, cria suspense Valério.
Mas ele adianta que estão ensaiando para o FHC, uma contra-resposta para a música Meu Caro Amigo, de Chico Buarque. O repertório eclético dos humoristas percorre da bossa-nova ao canto gregoriano, intercalado por jazz, blues, reggae, ópera e samba.
Todos os ritmos são recheados com textos e letras de humor aguçado. Em cena, Be & Thoven tocam violão, gaita, teclado e instrumentos criados a partir de material descartável, como o trumpet coke e o trumpet kult (trompetes feitos com embalagens de Coca-Cola e de Yakult).
Entre os shows mais disputados pelo público, os humoristas citam alguns que só pelo título já provocam risos: Pra Frente Brasil, Estou ca Grana e Andando, Brasil Erótico, Ninguém é Prefeito. Há ainda canções que tornaram-se clássicas, como o Samba da Encol, a Cantata del Telefone Celulare, ou ainda Eu Acredito em Duende, O Estojinho de Primeiros Socorros e Blues do Pobre, onde os espectadores são convidados a calcular em que classe econômica pertencem depois da desvalorização do real.


