Edson Franco
Agência Folha
Viciado em jogos de azar, o guitarrista norte-americano B.B. King, 74, não blefa. Ele sabe que já não há mais compositores de clássicos do blues. Por isso, pegou um time de músicos experientes, um repertório acima da crítica e gravou ‘‘Let the Good Times Roll’’, que a Universal lança agora no mercado brasileiro. No CD, King revisita o repertório de Louis Jordan (1908-1975), saxofonista de jazz que percebeu o potencial dançante do estilo, extraiu-lhe um pouco da sofisticação e lançou as pedras fundamentais do que hoje chamamos de rhythm and blues.
Como a música de Jordan se equilibra na linha que separa o jazz – daquele tipo que se acompanha com o estalar dos dedos – do blues, ela não é um desafio para King, que já havia passeado pelo jazz em trabalhos com Dave Brubeck e Diane Schuur. Em ‘‘Let the Good Times Roll’’, o pianista Dr. John, o guitarrista Russell Malone e o saxofonista Dave ‘‘Fathead’’ Newman garantem a autoridade instrumental. Com isso, King se limitou a colocar a voz. E ele gostou tanto que até deixou os solos de lado.
Nas poucas vezes em que sua guitarra canta, o faz de uma maneira mais reticente – mas nunca inócua – que a habitual. Isso se explica pelo fato de o guitarrista ter optado por manter o foco apenas nas canções. Apesar do talento dos músicos envolvidos, não há espaço para intervenções instrumentais que criem um segundo centro de atenções.
E essa é a maior – talvez a única – diferença que os fãs de King vão notar em relação aos seus trabalhos mais recentes. Até porque boa parte das músicas já faziam parte do repertório do guitarrista. Exemplos são a faixa que dá nome ao CD, ‘‘Caldonia’’ e ‘‘Early in the Mornin’’’. Esse é um aspecto que diminui a importância do trabalho, pois, em vez de avançar, King patina.

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