Baudrillard fala sobre novas linguagens em seminário no Rio
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terça-feira, 20 de abril de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 21 (AE) - O filósofo francês Jean Baudrillard sempre se preocupou em estudar as relações entre o mundo virtual
criado pela tecnologia, e o real. Ele está no Brasil, desde o início da semana, para falar sobre o assunto, a convite da Fundação Biblioteca Nacional. Sua primeira palestra foi realizada ontem (20), no Riocentro, dentro do 5.º Encontro Internacional de Tradutores e Agentes Literários, evento paralelo à 9.ª Bienal Internacional do Livro. Amanhã (22) ele fala de novo na Biblioteca Nacional, no seminário Novas Linguagens no Começo do Terceiro Milênio.
Nas duas oportunidades, Baudrillard defende a tese de que quando a cópia assume o lugar do original, este perde sua função e se torna inútil. Ele se interessa pelo tema há muitos anos, desde que deixou de ser tradutor para dedicar-se à filosofia, mas admite ter um método especial de estudo. "Estudei muito quando era jovem (ele tem 69 anos, embora aparente menos), mas não faço mais pesquisas", confessa. "Trabalho sobre hipóteses, sigo-as até as últimas consequências com minha intuição, mas sem um método científico ou racional".
Para ele, os estudos científicos opõem-se aos teóricos, já que estes não visam a um fim específico ou a busca da verdade. "É uma espécie de exploração e, por isso, sou econômico, não preciso nem de computador e trabalho com o prazer e a sedução". Baudrillard conta que não escolhe os assuntos, mas sente-se escolhido por eles: "Vou lendo aqui e ali, sem ir direto ao tema, abordando-o como numa espiral e, num determinado momento, o assunto está concluído, o livro fica pronto".
Baudrillard acredita que as máquinas podem criar réplicas perfeitas, mas não substituem o prazer e o sofrimento, características específicas do ser humano. "Essa é uma tendência comum a países desenvolvidos como a França ou outros menos, como o Brasil", disse ele. "Se aqui o acesso à tecnologia é mais restrito, sua utilização é mais barroca e há setores, como a televisão, mais desenvolvidos". Para ele não é apenas uma questão de avanço tecnológico, mas sim de fascínio pela tecnologia, que acaba criando uma mistura explosiva, se conjugada com estruturas arcaicas que ainda persistem.


