BATUQUE NIPÔNICO
Imagine japoneses tocando tambores em um videoclipe de axé music. Timbalada nipônica? Não, a combinação inusitada aconteceu com a participação especial do grupo Godaiko no clipe Arigatchan, do grupo baiano É o Tchan. O taiko, que em japonês significa tambor, é o instrumento musical do grupo Godaiko (cinco tambores) que esteve em Londrina no último final de semana.
Há cerca de 2.000 anos o taiko era apresentado apenas dentro dos templos budistas do Japão. Segundo Alexandre Harakava, do Godaiko, aos poucos, foi sendo introduzido também em festas religiosas e folclóricas, até que na época de 2ª Guerra Mundial, ganhou apelo artístico.
Algumas histórias contam que o som do taiko afasta os maus espíritos e por isso mesmo é sempre tocado em ocasiões como o Shogatsu (ano novo). Também foi usado para comandar as tropas na guerra, assim como no Ocidente, o exército usava as caixas de tambor, conta Harakava.
O grupo Godaiko existe há seis anos e, além da participação do clipe do É o Tchan, também tem no currículo a apresentação para o imperador Akihito, em visita ao Brasil. É o que nós fizemos de mais importante, contam os cinco integrantes do grupo, que viajam pelo País divulgando a arte milenar.
Entre as composições apresentadas pelo grupo, boa parte tem influência dos ritmos brasileiros. Temos uma formação superficial em música japonesa, então a mistura com os ritmos brasileiros acaba sendo natural, explica Harakava. Só que ainda é muito difícil encontrar fazedores de taiko no Brasil. A maioria dos nossos instrumentos é importada do Japão, conta. Os tambores são feitos sem emendas, ou seja, são os próprios troncos das árvores que são escavados.
E assim como a técnica de produção do taiko é diferenciada, o jeito de tocar também é todo especial. Tocar tambor todo mundo toca, o diferencial é a postura, ensina. Segundo Harakava, o taiko contemporâneo foi introduzido há mais de 40 anos por um baterista de jazz chamado Daihachi Oguchi, que posicionou o taiko como se faz com a bateria e colocou várias pessoas tocando num compasso forte.
E o taiko à brasileira ainda tem o diferencial das roupas coloridas e alegres usadas pelo grupo. Além de ter uma integrante feminina, Satie Harakava. A única diferença é a força usada, conta.
E hoje à noite, na 40ª Exposição Agrícola de Londrina, promovida pela Acel, os tambores japoneses voltam a ser ouvidos durante a apresentação Okinawa Exótica, que alia a dança ao som do taiko do grupo Ryuku Koku Taiko, também de São Paulo.
Okinawa Exótica: Dança e Arte dos Tambores (Ryuku Koku Taiko). Apresentações às 20 e 21 horas de hoje. 40ª Exposição Agrícola de Londrina. Rua Paulo Kawasaki, 101.





