'Batman' e a relação entre a arte e a violência
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sexta-feira, 27 de julho de 2012
Rodrigo Salem <br>Folhapress 
São Paulo - ''Arte consiste em remodelar a vida, mas ela não cria vida e não causa vida. Portanto, atribuir qualidades sugestivas poderosas a um filme é o equivalente à visão científica que, mesmo em profunda hipnose, as pessoas não conseguem fazer coisas que vão contra a sua natureza.''
A frase não é uma tentativa do diretor Christopher Nolan de se esquivar da polêmica que ''Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge'' teria inspirado James Holmes a atirar contra uma plateia de cinema, em Aurora, Colorado, sexta-feira passada (20), matando 12 pessoas. A análise nem é de Nolan. E foi feita há 40 anos.
Ela pertence a Stanley Kubrick (1928-1999). Inundado de acusações de que seu violento ''Laranja Mecânica'' (1971) havia gerado uma série de crimes na Inglaterra, o cineasta pediu que a Warner - por coincidência, mesmo estúdio de ''Batman''- retirasse a cópia dos cinemas e falou sobre o tema com a revista ''Sight & Sound'', em 1972. ''Eu não aceito que exista conexão [entre longas violentos e atos de violência].''
A discussão é mais antiga. Na década de 1950, a sociedade americana, à beira do surgimento do rock'n'roll, jogou a culpa da rebeldia dos jovens no drama ''Sementes de Violência''.
''O Cavaleiro das Trevas Ressurge'' é apenas o exemplo mais recente de vários filmes que serviram de bode expiatório para ações externas. ''O cinema substituiu a literatura e agora ganha os olhares de acusação. É um absurdo'', afirma o antropólogo Paulo Jorge Ribeiro, professor do departamento de ciências sociais da PUC-Rio. ''A maior milícia do Rio chama-se Liga da Justiça e usa o símbolo do Batman. Não podemos culpar a arte pelas loucuras humanas.''


