Batman & Robin, sucesso outra vez
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segunda-feira, 23 de junho de 1997
Guto Barra Agência Estado 
Batman & Robin já era sucesso nos Estados Unidos bem antes de arrecadar quase US$ 44 milhões em seu primeiro fim de semana de exibição nos Estados Unidos. O quarto filme da série e segundo de Joel Schumacher conseguiu transformar em lucros de bilheteria o maior número de acertos de um filme da série. Da credibilidade pediátrica de George Clooney à simpatia de Alicia Silverstone, passando pela recente operação de Arnold Schwarzenegger, tudo colaborou para que o filme chegasse às telas como hit absoluto do verão norte-americano.
O marketing que acompanhou a produção nos dois últimos meses não podia ser mais cronometrado. Todas as estrelas do filme, atualmente trabalhando em outras produções, se dedicaram a programas de TV, entrevistas e fotos para revistas. O videoclipe do Smashing Pumpkins (uma das bandas mais premiadas do ano passado) com uma das músicas da trilha sonora, The End Is the Beggining Is the End, estreou na MTV um mês antes do filme.
E, como não poderia deixar de ser, os produtos baseados no filme se multiplicaram e roubaram espaço nas prateleiras até dos dinossauros de O Mundo Perdido, de Steven Spielberg.
A idéia dos executivos da Warner Bros, era explorar ao máximo a imagem do personagem, que completa 60 anos de aventuras, e tentar superar a arrecadação de US$ 184 milhões de Batman Forever, de 1995, nos Estados Unidos. Nenhum dos filmes da série conseguiu igualar o sucesso de bilheteria do primeiro Batman, que, graças a Jack Nicholson, conseguiu fazer entrar US$ 251 milhões para os cofres da Warner, contando só os cinemas norte-americanos.
Marketing à parte, vários fatores colaboram para que a expectativa se confirme. Schumacher, que disse recentemente que agora é que sabe o que está fazendo, optou por algumas mudanças que devem ter bons resultados no público. Ele deixou de lado a imagem sombria de Batman (ele chega a sorrir no filme) e a personalidade atormentada de Bruce Wayne por conta da morte de seus pais. George Clooney tem 35 anos e se você encontrasse um cara com essa idade ainda preocupado com a morte dos pais 30 anos antes, ia mandar ele dar um jeito na sua vida, disse o diretor.
A escolha de Clooney para substituir Val Kilmer - que não aceitou o papel - foi vista com bons olhos até por Bob Kane, criador do personagem. Ele tem o queixo quadrado e é suave e elegante como o Batman que eu imaginei inicialmente, disse ele. Outro acerto: a inclusão de mais personagens femininos: além de Alicia Silverstone como a Batgirl, o filme tem ainda a modelo australiana Elle MacPherson e a atriz de Independece Day Vivica Fox.
No campo técnico, além das incontáveis traquitanas, como a roupa com 2 mil lâmpadas usada por Schwarzenegger e o cenário com raio laser dentro de pedaços de gelo, há uma novidade com ótimo resultado: Batman & Robin é o primeiro filme de Hollywood feito em três faixas de Technicolor desde 1974. O recurso, que resulta em cores mais agressivas, foi usado - com menos tecnologia - em O Poderoso Chefão 2, de Francis Ford Coppola.
Embora a expectativa de bilheteria só fosse se confirmar no fim de semana que passou, os preparativos para um novo Batman já estão tomando ritmo. Enquanto a indústria de Hollywood especula que o personagem não teria fôlego para uma quinta versão, é dado como certo que o roteiro de Batman Triunfante já está sendo feito, com uma vaga para Madonna no papel de Sra. Coringa.
PedrasVários fatores, no entanto, já começam a virar pedras no sapato de Joel Schumacher se ele realmente decidir assumir mais uma vez a direção de um Batman. Primeiro, a tradição de que dificilmente uma quinta parte de algum filme, por mais sucesso que tenha feito, é bem-vista pelo público. Há anos fala-se de Máquina Mortífera 4 e o filme nunca saiu do papel, enquanto a quarta parte de Alien discretamente substituiu o número 4 por um subtítulo A Ressurreição.
Por outro lado, há a concorrência da própria Warner, que pretende lançar no ano que vem um novo franchising: Superman, com Nicolas Cage no papel do Homem de Aço. Dirigido por Tim Burton, que começou a nova era com Batman, em 1989, o filme deve incluir uma aparição de Michael Keaton como o Homem Morcego.
Mas Joel Schumacher, George Clooney e Chris ODonnell confirmaram nas pré-estréias do filme em Los Angeles e Nova York, na semana passada, que aceitariam prontamente participar de um novo Batman. O problema deve ficar na área dos vilões: sobraram poucos personagens do universo original da história que ainda não foram explorados pela série de filmes. Os mais prováveis de aparecer na sequência são o Espantalho e a Harley Quinn, sem nunca deixar de lado as voltas de alguns dos vilões antigos, eternizados por Danny De Vito, Michelle Pfeiffer e Jim Carrey.
É claro que qualquer problema de elenco pode ser rapidamente resolvido com os crescentes cachês praticados pelo franchising de Batman. Não é à toa que todos eles aceitaram trabalhar no filme antes de ler o roteiro: há rumores de que a Warner gastou US$ 60 milhões apenas para pagar as participações das estrelas de Batman & Robin, sendo que Schwarzenegger teria levado sozinho US$ 25 milhões.


