Não estranhe se um ritmo incomum e um visual diferente começar a chamar a atenção de seus olhos e ouvidos. Em crescimento meteórico desde 2003 - e já dominando muitas pistas de dança nas grandes metrópoles - o pop asiático já é apontado como a nova 'febre' do momento na indústria fonográfica.
Com melodias pegajosas, dancinhas ensaiadas e letras onde é comum encontrar estrofes em inglês, o mercado para os estilos J-Pop (pop do Japão), K-Pop (da Coreia do Sul) e - de maneira mais tímida - o C-Pop (da China) é mesmo promissor. A 'invasão asiática' começou pelos Estados Unidos, no começo dos anos 2000; depois de chamar a atenção de investidores, artistas e produtores americanos, o know-how mercadológico foi mesclado ao ritmo dance oriental, atingindo em cheio as rádios e o público jovem dos EUA.
A moda pegou, e hoje avança por toda a América Latina. Um exemplo da popularização desses gêneros em solo brasileiro foi o Festival United Cube Concert, evento internacional realizado no final do ano passado, em São Paulo, e que reuniu mais de 5 mil fãs que sabiam de cor os passos da coreografia coreana dos grupos 4minute, B2ST e G.NA.
''De uma maneira geral, o pop coreano cresceu muito nos últimos anos'', analisa Jonathas Vargas, gerente de Gestão de Projetos da GEO Eventos, empresa responsável por trazer o United Cube para o Brasil. O evento superou as expectativas, reunindo fãs de São Paulo e caravanas vindas do Paraná, do Rio de Janeiro e do Nordeste. ''Apesar da barreira da língua, muitos conhecem o gênero através da internet e de amigos. O K-Pop e o J-Pop brigam no mesmo espaço dentro do mercado musical, que compreende, de maneira ampla, o pop asiático'', analisa, prevendo que, nos próximos anos, deve haver uma consolidação ainda maior destes estilos musicais no mercado ocidental. ''O jovem está antenado com a música pop no mundo, e está também bastante ligado no K-Pop e em outros estilos de músicas asiáticas'', conclui. A GEO eventos prevê trazer uma outra grande atração coreana para o Brasil em 2013.

Dançando junto
Não pense que os cabelos espetados, roupas coloridas e jeitão de desenho animado acontecem por acaso dentro dos grupos de K-Pop e J-Pop; grandes agências de talentos orientais - como a coreana S.M Entertainment e a japonesa Avex Group - desenvolvem rigorosos processos de seleção de meninos e meninas, em competições pela Ásia.
Depois de escolhidos, os novos candidatos a popstars passam por um treinamento completo de canto, dança e interpretação, mudam o visual e assumem a postura que lhes cabem (o bonitinho, o malvado, o descolado, o tímido, e assim por diante). ''Tudo isso é idealizado pelas mãos dos melhores produtores americanos, e existe todo um universo de apelo visual quando se trata de K-Pop e J-Pop. São estilos com coreografias ensaiadas e batidas marcantes'', explica o DJ Alexandre Krft, que organiza desde o ano passado em Londrina a festa NEON, promovendo uma discotecagem diferenciada de sucessos japoneses e coreanos mesclados com música pop americana. ''Enquanto o K-Pop é uma música mais animada e frenética, o J-Pop tem uma levada um pouco mais compassada, romântica. É legal intercalar os dois ritmos'', compara. A próxima edição da festa acontece no próximo sábado (28), às 23h, no Casillero Bar.
Sem tocar nas rádios brasileiras, a popularização desses gêneros dançantes por aqui é fruto exclusivo do acesso à internet. Contabilizando milhões de acessos no YouTube e Vimeo, os grupos mais populares do Oriente conseguiram ultrapassar as fronteiras da língua sem um grande investimento em propaganda na mídia convencional. ''Antes, os coreanos tinham como objetivo apenas explodir no Japão. Hoje, eles estão mesmo no auge, tocando em muitas noites e baladas'', indica o vendedor Tchesco, que trabalha na loja especializada K2 Mangá e há alguns anos é aficionado pela música pop japonesa e coreana. ''Quem curte mesmo, ouve os novos sons antes deles chegarem aos EUA. Nós, que somos fãs, baixamos direto da internet'', afirma.
Mas qual é a grande diferença entre o pop oriental e o ocidental? ''No J-Pop, as diferenças são menores, ele é mais parecido com o americano. O estilo coreano é uma mistura diferente de Madonna, Beyoncé e muitas outras influências. Tudo isso cria um som único, uma mescla tecno e dance'', compara Tchesco, que também organiza em Londrina, anualmente, a festa DK - em que o visual dos participantes é inspirado em suas bandas preferidas, no estilo ''Visual Kei'' (outro gênero que tem conquistado os ocidentais, em que os integrantes das bandas capricham na maquiagem e nos detalhes das roupas).
Seguindo uma linha mais tradicionalista, Tchesco admite que prefere festas em que a discotecagem ainda não é 'misturada'. ''Todo mundo faz isso hoje em dia. É modinha. O que eu curto mesmo são baladas do estilo 100% oriental'', completa.

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